Propostas foram aprovadas com os votos contra do grupo municipal do PS.
A Assembleia Municipal de Lisboa aprovou esta terça-feira moções da IL e do PSD sobre a desocupação temporária de três imóveis no âmbito do projeto da linha circular do Metropolitano, inclusive a suspensão do processo de "expropriações".
As propostas foram aprovadas com os votos contra do grupo municipal do PS, com o deputado socialista Luís Coelho a considerar o debate da atualidade "sobre as expropriações temporárias do Metro", a requerimento da IL, "uma tentativa de aproveitamento político", inclusive de "colocar na agenda o tema da expansão das linhas do Metropolitano e da forma geométrica que elas deviam ter".
O deputado da IL Miguel Ferreira da Silva abriu o debate na Assembleia Municipal a pedir para que se colocasse "de lado a guerrilha da partidarice", porque a discussão não seria sobre o projeto da linha circular, "se é em linha, em laço ou às bolinhas", mas sim sobre as "expropriações temporárias" e a defesa do interesse dos cidadãos, em que houve "abuso de poderes públicos" por parte da empresa Metropolitano de Lisboa.
Miguel Ferreira da Silva criticou a falta de diálogo com os moradores e os comerciantes afetados e a "profunda incompetência" de planeamento por parte da empresa de transporte público, considerando "no mínimo desumana" a decisão de iniciar a expropriação de imóveis no dia 03 de janeiro, o que coincide com a semana de contenção de contactos devido à pandemia de covid-19.
Do grupo municipal do PSD, que apresentou a moção "Expropriações do Metropolitano de Lisboa -- um exemplo a não seguir" e que votou a favor também da proposta da IL, Luís Newton defendeu a necessidade de ter informação sobre o processo de desocupação de imóveis, explicando que a iniciativa dos sociais-democratas surge precisamente por isso: "por ser inadmissível não sabermos".
Luís Newton acusou de "enorme hipocrisia" o deputado independente do Cidadãos por Lisboa (eleito pela coligação PS/Livre) Miguel Graça por este recusar tomar posição sobre as moções por "falta informação", afirmando: "Nós quando não sabemos não metemos as nossas comunidades em risco".
Optando pela abstenção, Miguel Graça rejeitou votar "com base em achismos", por não dispor de dados sobre o processo, inclusive alternativas de habitação e pagamento antecipado de custos, e sublinhou a importância de assegurar a proteção dos direitos à habitação, à propriedade e ao lugar, apresentando um requerimento para que a Assembleia Municipal solicite informação ao Metropolitano.
Do CDS-PP, que votou a favor das duas moções, Margarida Penedo afirmou que "o Metro fez o que lhe apeteceu abusadamente e não quis saber dos cidadãos", apontando responsabilidades ao Governo do PS e ao anterior executivo camarário, liderado pelo socialista Fernando Medina.
Com voto a favor da moção do PSD e a abstenção da proposta da IL, a deputada do BE Isabel Pires criticou a "teimosia" por parte do Governo de avançar com a linha circular, reiterando que "este processo deve ser suspenso".
A favor das duas moções, o grupo municipal do PEV, pela voz da deputada Cláudia Madeira, partilhou das preocupação manifestadas quanto às desocupações e considerou ser "um processo mal conduzido e que demonstra uma grande falta de sensibilidade".
Do PCP, que também votou favoravelmente as duas iniciativas, Fernando Correia disse que a "a preocupação com as pessoas tem de estar em primeiro lugar" e o processo de desocupação de imóveis "é no mínimo um ato de grande insensibilidade social".
Também os deputados do PAN, MPT e Chega votaram a favor das duas propostas, enquanto o partido Livre se absteve de ambas as moções.
Com a moção da IL, a Assembleia Municipal de Lisboa adota "uma firme posição de repúdio face à atitude e falta de planeamento da Metropolitano", uma vez que a situação "causa graves prejuízos sociais e económicos aos cidadãos afetados", e insta o Governo a exercer "tutela efetiva" sobre a empresa de transporte, inclusive para "a imediata suspensão da anunciada posse, ao abrigo da expropriação temporária, marcada para dia 03 de janeiro de 2022".
A moção dos deputados municipais do PSD propõe que o Ministério do Ambiente seja instado a "suspender o procedimento de expropriações até que sejam assegurados os mecanismos de apoio para que estas aconteçam de forma a minimizar os prejuízos às populações afetadas".
Segundo informação prestada pela empresa, os proprietários das três frações que vão ser "ocupadas temporariamente" pelo Metropolitano de Lisboa, devido ao projeto da linha circular, já assinaram acordo, estando 20 à espera de o fazer, envolvendo uma indemnização de 125 mil euros.
Em resposta à agência Lusa, o Metropolitano de Lisboa explicou que a necessidade de desocupação dos imóveis surge no âmbito do projeto de expansão para a criação da linha circular e da construção das novas estações Estrela e Santos, em que "foram efetuadas vistorias técnicas a vários edifícios, tendo sido detetadas situações a necessitar de uma análise aprofundada".
A situação abrange três imóveis na freguesia da Estrela, em que foram "identificadas 33 frações a ocupar temporariamente", informou a empresa.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.