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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Ângelo Paupério substitui Brito Pereira como 'chairman' da NOS

Os três administradores não executivos da empresa ligados a Isabel dos Santos apresentaram renúncia aos cargos.

27 de janeiro de 2020 às 17:41

O administrador não executivo da NOS Ângelo Paupério foi esta segunda-feira eleito presidente do Conselho de Administração da operadora de telecomunicações, substituindo Jorge Brito Pereira, que renunciou ao cargo na quinta-feira.

Em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a NOS informa que, "em reunião do Conselho de Administração ocorrida esta segunda-feira, foi eleito presidente do Conselho de Administração ['chairman'] da sociedade o senhor Eng.º Ângelo Gabriel Ribeirinho dos Santos Paupério".

Ângelo Paupério entrou na Sonae há cerca de 30 anos, passou pelas várias empresas do grupo -- desde a distribuição às comunicações --, e em 2015 foi o escolhido por Belmiro de Azevedo para lhe suceder, com o seu filho Paulo Azevedo.

Durante três anos, a Sonae teve uma liderança bipartida, entre Paulo Azevedo e Ângelo Paupério, até os dois terem manifestado vontade de passar o testemunho das funções executivas, já depois da morte de Belmiro de Azevedo, em novembro de 2017.

A escolha recaiu então sobre Cláudia Azevedo, filha de Belmiro de Azevedo, que se mantém em funções.

Na quinta-feira, os três administradores não executivos da NOS ligados à empresária Isabel dos Santos, entre os quais o presidente do Conselho de Administração, Jorge Brito Pereira, apresentaram renúncia aos cargos, divulgou a operadora de telecomunicações.

Nesse dia, a NOS informou que Jorge Brito Pereira, Mário Filipe Moreira Leite da Silva e Paula Cristina Neves Oliveira tinham apresentado ao Conselho Fiscal "as respetivas renúncias aos cargos de membros não executivos do Conselho de Administração" da operadora.

A renúncia aos cargos aconteceu quatro dias depois de um consórcio de jornalistas ter divulgado o processo denominado 'Luanda Leaks', que revela alegados esquemas financeiros da empresária angolana Isabel dos Santos, filha do antigo chefe de Estado de Angola.

Os três administradores não executivos estavam a cumprir o mandato para o triénio 2019/2021.

Na sexta-feira, Brito Pereira anunciou a saída da sociedade de advogados Uria Menéndez Proença de Carvalho, a suspensão da atividade profissional como advogado e, como consequência, do "patrocínio jurídico" a Isabel dos Santos.

"Face às informações publicadas nos últimos dias a propósito dos designados 'Luanda Leaks', sem qualquer admissão de culpa, entendi que, ouvidos alguns dos meus sócios, para não prejudicar o bom nome e a reputação da Uria Menéndez Proença de Carvalho, devia renunciar à minha condição de sócio com efeitos imediatos", disse à Lusa, na altura, numa resposta por escrito.

O advogado adiantou que vai "aproveitar os meses que se seguem para, além de ponderar tudo o que ocorreu nas últimas semanas", finalizar a tese de doutoramento".

Mário Leite da Silva, que é gestor de Isabel dos Santos e considerado o seu 'braço direito', e Paula Oliveira, amiga da empresária, foram constituídos arguidos em Angola, no âmbito do processo 'Luanda Leaks', juntamente com a empresária e filha do ex-Presidente angolano.

Um consórcio de jornalismo de investigação revelou no dia 19 de janeiro mais de 715 mil ficheiros, sob o nome de 'Luanda Leaks', depois de analisar, ao longo de vários meses, 356 gigabytes de dados relativos aos negócios de Isabel dos Santos entre 1980 e 2018, que ajudam a reconstruir o caminho que levou a filha do ex-Presidente angolano José Eduardo dos Santos a tornar-se a mulher mais rica de África.

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