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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Antigo presidente do INEM critica processos disciplinares na greve de 2024

Luís Meira falava na CPI ao INEM para apurar responsabilidades durante a greve no final de 2024 e a relação das tutelas políticas com o instituto desde 2019.

25 de março de 2026 às 21:54

O antigo presidente do INEM Luís Meira afirmou esta quarta-feira que nunca teria aberto qualquer processo disciplinar aos profissionais durante a greve de 2024, considerando "vergonhoso" que se tenha sugerido responsabilizar os operacionais do CODU.

"Aquilo que eu teria feito era não abrir processo disciplinar nenhum", declarou, apesar de respeitar a decisão do então presidente do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), Sérgio Janeiro.

Luís Meira falava na comissão parlamentar de inquérito (CPI) ao INEM para apurar responsabilidades durante a greve no final de 2024 e a relação das tutelas políticas com o instituto desde 2019.

Durante a greve dos técnicos de emergência pré-hospitalar, entre 30 de outubro e 4 de novembro de 2024, registaram-se 12 mortes, três das quais associadas a atrasos no socorro, segundo a Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS).

"Não me sinto minimamente conivente ou cúmplice daquilo que poderão ter sido mortes associadas ao momento da greve", salientou.

O antigo presidente do INEM criticou o primeiro relatório da IGAS, afirmando que, "por muito que o inspetor-geral tente dizer que não", o documento insinuava a necessidade de processos disciplinares ao médico e ao técnico de emergência pré-hospitalar envolvidos.

"Acho que isso foi vergonhoso", considerou.

O ex-responsável defendeu que os profissionais mereciam reconhecimento e não punição.

"Não fugiram do CODU [Centros de Orientação de Doentes Urgentes], estiveram lá, deram a cara, trabalharam enquanto o mundo estava a acabar à sua volta e a recompensa é esta", lamentou.

Luís Meira acrescentou que, se estivesse em funções, teria "mandado publicar um louvor no dia a seguir a todos os que tiveram de serviço no CODU".

Composta por 24 deputados para apurar responsabilidades políticas, técnicas e financeiras relativas à atual situação do INEM, a CPI foi aprovada em julho do ano passado por proposta da IL.

O foco inclui a atuação do INEM durante a greve do final de outubro e início de novembro de 2024 e a relação das tutelas políticas com o instituto desde 2019.

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