"Vamos trabalhar em conjunto por um mundo mais inclusivo, justo e próspero para as mulheres e meninas, homens e meninos, em todos os lugares", afirmou.
O secretário-geral das Nações Unidas (ONU), António Guterres, apelou esta quarta-feira à ação urgente para apoiar as vidas e os direitos das mulheres e das meninas "por um mundo mais inclusivo, justo e próspero" para todos.
Num artigo de opinião divulgado esta quarta-feira, Dia Internacional da Mulher, no jornal Público, António Guterres sublinha que o progresso dos direitos das mulheres está a desaparecer, destacando que segundo previsões mais recentes, serão precisos mais 300 anos para alcançar a plena igualdade de género.
"Atualmente, a sucessão de várias crises, desde a Guerra na Ucrânia à emergência climática, afeta em primeiro lugar de forma mais dura as mulheres e as meninas. E como resultado do retrocesso mundial da democracia, os direitos das mulheres sobre os seus corpos e sobre a autonomia das suas vidas estão a ser questionados e negados", realçou.
O secretário-geral da ONU destacou no artigo estatísticas que evidenciam o fracasso: "A cada 10 minutos, uma mulher ou menina é assassinada por um membro da família ou por um parceiro íntimo" e "a cada dois minutos, uma mulher morre durante a gravidez ou parto".
Por isso, António Guterres diz que todos têm de se comprometer a fazer mais e melhor para reverter a tendência e apoiar as vidas e os direitos das mulheres e das meninas.
Nesse sentido, o secretário-geral da ONU destaca a necessidade de serem tomadas medidas em várias frentes para garantir que as mulheres e meninas possam contribuir para "o acervo mundial do conhecimento através da ciência e das tecnologias".
"Vamos trabalhar em conjunto, por um mundo mais inclusivo, justo e próspero para as mulheres e meninas, homens e meninos, em todos os lugares".
No artigo, pede igualmente aos decisores de vários setores que ampliem a participação e liderança das mulheres na ciência e nas tecnologias, recorrendo a quotas se necessário.
"Devem ser criativos, ampliando os processos de recrutamento e dando prioridade às competências no momento da contratação. E devem ser persistentes", realçou, destacando que esta abordagem está a gerar resultados nas Nações Unidas, onde existe uma estratégia de paridade de género entre os seus funcionários.
António Guterres pede também que sejam adotadas medidas para criar um ambiente digital seguro para as mulheres e responsabilizar "tanto os perpetradores de abuso 'online' quanto as plataformas digitais que permitem essas situações".
O secretário-geral da ONU destaca ainda que as Nações Unidas estão a trabalhar, entre outros, com governos e sociedade civil na elaboração de um Código de Conduta que visa "reduzir danos e a aumentar a responsabilidade das plataformas digitais, ao mesmo tempo que defende a liberdade de expressão".
"Investir nas mulheres e nas meninas é a maneira mais segura de elevar todas as pessoas, comunidades e países e de alcançar os objetivos da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável"", afirmou.
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