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Arquiteto faz participação ao MP sobre suspensão parcial do PDM de Coimbra

Nuno Martins considera que medida pode permitir soluções urbanísticas mais permissivas em zonas ribeirinhas.

16 de junho de 2026 às 12:17

O Arquiteto Nuno Martins apresentou uma participação ao Ministério Público para pedir uma avaliação à suspensão parcial do Plano Diretor Municipal (PDM) em Coimbra, considerando que medida pode permitir soluções urbanísticas mais permissivas em zonas ribeirinhas.

De acordo com a participação a que a agência Lusa teve acesso, o professor de arquitetura pretende que o Ministério Público (MP) aprecie a conformidade legal da solução adotada, questionando a fundamentação invocada pelo município liderado por Ana Abrunhosa (PS/Livre/PAN) para avançar com a suspensão parcial do PDM.

A medida, aprovada no final de abril, determina a suspensão parcial nas margens esquerda e direita do Mondego e no corredor servido pelo 'metrobus'.

A exposição junto do MP considera que a suspensão parcial parece apontar "para a admissão de soluções urbanísticas materialmente mais permissivas, designadamente através da flexibilização de determinados parâmetros edificatórios, da admissibilidade de novas soluções construtivas e da intensificação da ocupação urbanística em determinadas áreas abrangidas pela suspensão".

"A confirmar-se tal circunstância, estar-se-á perante uma realidade substancialmente distinta daquela que a lei prevê para as medidas preventivas", salienta o autor da participação.

Para o arquiteto, a suspensão parcial do PDM, tal como ela foi aprovada, "suscita fundadas dúvidas quanto à eventual utilização de uma figura jurídica cautelar para prosseguir finalidades que a lei reserva a instrumentos distintos", nomeadamente um processo de alteração do próprio Plano Diretor.

Na participação, Nuno Martins alerta que as dúvidas quanto à aplicação da suspensão parcial do PDM "assumem especial importância por incidirem sobre áreas relativamente às quais foram publicamente identificadas condicionantes associadas ao risco de inundação, à Reserva Ecológica Nacional [REN], à Reserva Agrícola Nacional [RAN] e a outras servidões e restrições de utilidade pública".

O arquiteto afirma que "o Plano de Gestão dos Riscos de Inundações (PGRI) do Vouga, Mondego e Lis estabelece que o ordenamento do território deve reduzir a exposição, diminuir a vulnerabilidade e evitar a intensificação urbana em áreas inundáveis sem demonstração rigorosa da compatibilidade hidráulica, ambiental e territorial".

Nesse sentido, entende que o MP deveria apurar se foram "produzidos e devidamente ponderados os estudos, pareceres e elementos técnicos necessários para demonstrar a compatibilidade da solução aprovada com os instrumentos de gestão dos riscos de inundação, com os regimes da REN e da RAN e com os demais instrumentos de ordenamento do território e proteção civil aplicáveis".

A suspensão parcial do PDM em Coimbra foi aprovada em Assembleia Municipal no final de abril, com 27 votos a favor (PS, Livre, PAN e um deputado do CDS-PP), nove abstenções (cinco do PSD, um do CDS-PP e deputados do Chega) e 15 contra (Nós, Cidadãos!, CDU, BE, IL, PPM e restantes deputados do PSD e um do CDS-PP).

Na altura, o executivo liderado pela coligação Avançar Coimbra (PS/Livre/PAN) disse que esta medida poderá promover mais habitação acessível no concelho, já a oposição falou em riscos na suspensão do Plano Diretor Municipal e na falta de garantias no âmbito do processo.

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