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Associação ajuda mais de 70 pessoas com Síndrome de Asperger a arranjar trabalho

APSA é uma associação sem fins lucrativos criada em 2003 por pais com filhos portadores da Síndrome de Asperger.

16 de fevereiro de 2026 às 16:24

A Associação Portuguesa de Síndrome de Asperger (APSA) ajudou mais de 70 jovens a arranjar trabalho em 10 anos, revelou esta segunda-feira a organização a propósito do dia internacional da Síndrome de Asperger, que se assinala na quarta-feira.

"Foi muito difícil arranjar trabalho", disse um dos beneficiários do Programa de Empregabilidade da APSA, João Monteiro (nome fictício), de 36 anos, a quem a associação ajudou a arranjar o emprego de técnico administrativo num hospital, que tem desde de dezembro.

A APSA é uma associação sem fins lucrativos criada em 2003 por pais com filhos portadores da Síndrome de Aspeger, tem 398 associados e visa apoiar e integrar as pessoas com Síndrome de Asperger na sociedade.

Beneficiário da associação, João Monteiro foi diagnosticado com Síndrome de Asperger aos 26 anos quando estava à procura de trabalho.

À Lusa, contou que gosta que o seu trabalho seja "calmo e repetitivo" e que lhe permita aprender a estar com pessoas, explicando que é "muito frustrante" quando tenta falar com outras pessoas e estas não o compreendem.

Licenciado em biologia, João Monteiro espera poder continuar a trabalhar no hospital por mais tempo e prosseguir a formação no ensino superior.

"Com o dinheiro do trabalho em ?part-time?, espero conseguir tirar um mestrado", disse João Monteiro que também recebe uma pensão do Estado.

A APSA também ajudou João Monteiro a arranjar um trabalho como voluntário no museu de história natural.

A presidente da APSA, Piedade Líbano Monteiro, disse à Lusa que a associação prepara os beneficiários para qualquer setor, como a área administrativa, agricultura, artes, informática, cozinha, desporto, retalho, entre outras.

A responsável referiu que os beneficiários também são preparados para entrevistas de emprego e para o processo de seleção de trabalhadores.

"Quando começas a sentir esta ansiedade, que tem sintomas, sais, respiras fundo, vais dar uma volta", explicou a presidente da APSA, dando o exemplo também de estratégias que as técnicas da associação ensinam aos utentes para lidarem com sintomas da Síndrome de Aspeger.

Piedade Líbano Monteiro indicou que antes de o utente da organização começar a trabalhar, a APSA dá uma sessão de sensibilização às empresas que vão recebê-lo.

"Toda a gente tem de perceber que vão ter um colega com esta particularidade", sendo o objetivo informar e preparar a empresa o máximo possível para prevenir conflitos e mal-entendidos, disse a responsável.

Questionada sobre o ponto de situação dos portadores de Síndrome de Asperger no mercado de trabalho, Piedade Líbano Monteiro disse que cada vez mais empresas incluem "estas pessoas nos seus recursos humanos".

A APSA tem diversas iniciativas de integração, como ateliês de informática e de música.

No âmbito do Programa de Empregabilidade da associação, 38 empresas receberam utentes da associação para trabalhar.

Em Portugal existem mais de 40.000 pessoas com a Síndrome de Asperger, segundo a APSA.

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