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Associação Zero contra ponte rodoviária do TGV no Porto e estacionamento excessivo

Ambientalistas defendem estação de Gaia em Santo Ovídio.

10 de julho de 2026 às 08:17

A associação Zero criticou, esta sexta-feira, a manutenção do tabuleiro rodoviário na prevista ponte da linha ferroviária de alta velocidade no Porto, bem como o excesso de lugares de estacionamento em Campanhã, defendendo a estação de Gaia em Santo Ovídio.

"A Zero reitera a sua oposição à manutenção de um tabuleiro rodoviário associado à nova ponte sobre o rio Douro. Num contexto de emergência climática, de necessidade de redução das emissões do setor dos transportes e de forte investimento na ferrovia, a criação de capacidade rodoviária adicional constitui uma opção contraditória com os objetivos da política pública", pode ler-se num comunicado enviado, esta sexta-feira, à Lusa.

Segundo os ambientalistas, "a evidência científica demonstra que novas infraestruturas rodoviárias tendem a gerar procura adicional de tráfego, anulando parte dos benefícios esperados em termos de congestionamento e contribuindo para o aumento das emissões e da dependência automóvel".

Em causa está o novo Relatório de Conformidade Ambiental do Projeto de Execução (RECAPE) da linha de alta velocidade no Porto e Gaia, que confirma a existência de uma só ponte, com dois tabuleiros, sobre o rio Douro, estação de Gaia em Santo Ovídio, como sempre esteve previsto.

Apesar de ter vencido o concurso público e assinado contrato com base no caderno de encargos, em abril de 2025 o consórcio vencedor (Mota-Engil, Serena, Teixeira Duarte, Alves Ribeiro, Casais, Conduril e Gabriel Couto) apresentou uma proposta alternativa, com duas pontes separadas sobre o Douro em vez de uma rodoferroviária, estação em Vilar do Paraíso - sem garantia de ligação ao metro - em vez de Santo Ovídio.

Na componente automóvel associada a este projeto ferroviário, a Zero criticou, esta sexta-feira, a "construção de um parque de estacionamento subterrâneo com cerca de 620 lugares na estação de Campanhã", considerando que "esta solução não se encontra alinhada com os objetivos nacionais e europeus de descarbonização dos transportes nem com o papel que uma estação ferroviária de alta velocidade deve desempenhar na estruturação da mobilidade sustentável".

"A criação de grandes bolsas de estacionamento tende a incentivar deslocações de acesso em automóvel, aumentando o congestionamento urbano, a ocupação do espaço público e as emissões associadas às viagens de primeira e última milha", referem, defendendo que "os investimentos devem privilegiar a melhoria da oferta de transporte coletivo, a criação de percursos pedonais seguros e acessíveis, a instalação de estacionamento seguro para bicicletas e a integração com sistemas de mobilidade partilhada".

Assim, defende "uma redução substancial da capacidade de estacionamento prevista e o reforço das soluções de acesso sustentável às estações", estando também previstos 475 lugares de estacionamento também em Gaia.

Precisamente sobre Gaia, a Zero considera que a estação em Santo Ovídio "constitui uma opção significativamente mais favorável do ponto de vista da mobilidade sustentável, permitindo uma articulação direta com a rede do Metro do Porto", vincando que é "fundamental assegurar a melhor integração possível" com as linhas Amarela e Rubi.

Segundo a associação, "a experiência internacional demonstra que o sucesso das redes ferroviárias de alta velocidade depende da qualidade da sua integração com os sistemas urbanos e metropolitanos de transporte coletivo", pois "a existência de interfaces eficientes reduz a dependência do automóvel, aumenta a área de influência das estações e maximiza os benefícios económicos, sociais e ambientais do investimento público realizado".

A Zero considera ainda que a "fundamentação técnica, económica e ambiental" das mudanças no traçado propostas, nomeadamente quanto a menos túneis e algumas demolições, "deve ser mais claramente demonstrada, garantindo que a redução dos custos de construção não ocorre à custa de um agravamento desproporcionado dos impactes sociais e territoriais".

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