page view
Imagem promocional da micronovela
MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Associações alertam para grave risco de contaminação por amianto

Placas com este material cancerígeno ficaram danificadas e estão dispersas na via pública após a tempestade Kristin.

05 de fevereiro de 2026 às 13:02

As associações Zero e AEPRA alertaram esta quinta-feira para o grave risco de contaminação por amianto devido às placas com este material cancerígeno que ficaram danificadas e estão dispersas na via pública após a tempestade Kristin.

Para proteção da população, a Zero - Associação Sistema Terrestre Sustentável e a Associação de Empresas Portuguesas de Remoção de Amianto (AEPRA) recomendam num comunicado conjunto que "não se toquem nem removam placas suspeitas, que se evite a circulação nas zonas afetadas, que os locais sejam sinalizados e que as situações sejam comunicadas às autoridades competentes".

A Zero diz ter recebido "múltiplas denúncias de placas de fibrocimento, vulgarmente conhecidas como placas de Lusalite, partidas e abandonadas, situação que implica a libertação de fibras de amianto --- substâncias comprovadamente cancerígenas --- facilmente inaláveis pela população".

"Sempre que materiais contendo amianto se partem ou se degradam, libertam fibras extremamente perigosas. A sua inalação pode causar asbestose, cancro do pulmão e mesotelioma, um cancro raro, mas muito agressivo. A presença destes resíduos na via pública expõe toda a comunidade a um risco grave e inaceitável", alerta Íria Roriz Madeira, da Zero, citada no comunicado.

Esta associação ambientalista sublinha "a necessidade de uma intervenção urgente por parte das autoridades competentes para a limpeza e remoção segura dos materiais afetados".

Adianta que as situações identificadas foram comunicadas ao Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) da GNR, pedindo à população que faça o mesmo.

As duas associações alertam que "qualquer reutilização, reciclagem ou valorização de materiais contendo amianto é expressamente proibida pela legislação portuguesa e representa um perigo sério para quem manuseia esses materiais e para toda a comunidade envolvente".

Chamam ainda a atenção para "o risco acrescido de exposição ao amianto das equipas de socorro, serviços municipais e voluntários que, sem informação adequada ou equipamentos de proteção individual apropriados, procedem à remoção de destroços, uma vez que o corte ou manuseamento destes materiais pode libertar fibras perigosas para o ar".

A AEPRA indica também ter tido conhecimento de "práticas alarmantes" por parte de cidadãos que "estão a doar placas de fibrocimento para reparar coberturas danificadas, sem qualquer garantia de cumprimento das normas legais relativas à remoção, acondicionamento, transporte e destino final destes resíduos perigosos, criando situações de risco elevado para a saúde pública".

"Consideramos particularmente grave que estas situações sejam apresentadas sob a forma de gestos solidários ou de ajuda, quando, na realidade, transferem para terceiros um problema ambiental e de saúde pública, bem como os respetivos encargos de tratamento e deposição", afirma Marina Côrte-Real, representante da AEPRA, citada no comunicado.

O amianto está proibido em Portugal desde 2005 e a sua reutilização, reciclagem ou qualquer forma de valorização de resíduos contendo amianto é ilegal, recordam as associações.

Na quarta-feira, a Direção-Geral da Saúde (DGS) emitiu recomendações de segurança após os danos causados pela tempestade Kristin, alertando para o risco de exposição ao amianto durante trabalhos de limpeza, remoção de destroços e reparação de edifícios.

Onze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin e Leonardo, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal, que afetou sobretudo as regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo.

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

o que achou desta notícia?

concordam consigo

Logo CM

Newsletter - Boa Tarde

As suas notícias acompanhadas ao detalhe.

Mais Lidas

Ouça a Correio da Manhã Rádio nas frequências - Lisboa 90.4 // Porto 94.8