Depressão levou à paragem de várias fábricas do setor automóvel e algumas ainda não conseguiram retomar produção.
A depressão Kristin levou à paragem de várias fábricas do setor automóvel e há algumas que ainda não conseguiram retomar produção, adiantou à Lusa o presidente da AFIA, sinalizando que há clientes na Europa com linhas de produção paradas.
"Existem algumas fábricas que ainda não conseguiram arrancar a produção, porque a sua situação é um desastre total", sendo que "foram destruídas as estruturas dos edifícios e têm os equipamentos paralisados, quer porque não têm local para trabalhar, quer porque foram danificados pela chuva e por outros destroços", disse o presidente da Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel (AFIA), José Couto, à Lusa.
Verifica-se então ainda uma paralisação e atrasos no arranque de fábricas de componentes automóveis, sendo que algumas poderão demorar muito tempo a retomar, devido a perdas e danos nos edifícios e equipamentos.
Segundo o presidente da AFIA, foram cerca de 20 as empresas da indústria automóvel, localizadas entre Aveiro e Alcobaça, que foram afetadas pela Depressão Kristin, o que é "significativo num conjunto de empresas que andarão à volta de 360 empresas".
Estas fábricas tinham clientes na Europa que também terão sido afetados por estas paragens, sendo que "há clientes com alterações de planos de produção" e até paragem de linhas.
"A informação é que há linhas paradas, há fábricas, neste momento, clientes que tiveram que alterar os seus planos de produção, mas o desastre total ainda não tem avaliação", apontou.
Os maiores clientes são em Espanha e na Alemanha, onde se deve sentir mais o impacto desta suspensão, mas também em França, onde "existem fábricas que estarão neste momento com problemas em termos de produção por paragem em Portugal", sinalizou.
Por outro lado, há fábricas deste setor em Portugal que já conseguiram iniciar novamente a produção, depois de terem estado dois, três ou quatro dias paralisadas, "porque não havia energia e tinham pequenos estragos mais leves nas estruturas".
No que diz respeito à falta de luz, o responsável sinalizou que "a maior parte das fábricas que estavam sem energia ontem [terça-feira] já tinham energia e, portanto, preparavam-se para arrancar ainda no dia de ontem e no dia de hoje".
Ainda assim, ressalvou que a informação pode não ser completamente fiável porque "as empresas estiveram muito tempo sem energia e sem internet e foi muito difícil contactar com as fábricas", pelo que estão "continuamente a monitorizar este processo".
José Couto disse que a expectativa agora é que "as empresas consigam rapidamente resolver alguns problemas que têm, nomeadamente as questões das coberturas dos edifícios ou os danos estruturais em algumas empresas, porque, mal isso seja resolvido, poderão perspetivar um arranque da produção".
O responsável alertou que o destelhamento das empresas provoca alterações e prejuízos significativos nos equipamentos que estão instalados, quer por causa da chuva, quer por causa da humidade, pelo que é uma situação "altamente prejudicial para estes equipamentos".
No que diz respeito a recorrer a empresas para resolver estes problemas, existem questões de disponibilidade da mão-de-obra, salientou, dizendo ainda assim acreditar que "a estrutura de missão já tem isso perfeitamente assinalado e estará também num processo de identificar e ajudar a ultrapassar isto".
Dez pessoas morreram desde a semana passada na sequência do mau tempo.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e de estruturas, cortes ou condicionamentos de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, o fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal, que provocou centenas de feridos e desalojados.
O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 68 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
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