A partir de sexta-feira a gasolina sem chumbo I.O. 95 octanas passa a custar 1,921 euros por litro, nos Açores, e o gasóleo rodoviário 2,004 euros por litro.
A Federação das Pescas dos Açores (FPA) alertou esta quarta-feira para o aumento "abrupto" do preço dos combustíveis na região, que poderá levar embarcações açorianas a permanecer em terra nos próximos meses, colocando "em risco" empresas e empregos do setor.
"O aumento anunciado para 01 de maio de uma subida de 0,36 euros por litro no gasóleo destinado à pesca, que passa de 1,08 euros para 1,44 euros, representa um golpe duríssimo num setor já sob enorme pressão", aponta a FPA, em comunicado.
De acordo com os despachos publicados esta quarta-feira em Jornal Oficial, a partir de sexta-feira a gasolina sem chumbo I.O. 95 octanas passa a custar 1,921 euros por litro, nos Açores, e o gasóleo rodoviário 2,004 euros por litro.
O preço do gasóleo colorido e marcado consumido na agricultura é fixado em 1,633 euros por litro e o preço do gasóleo colorido e marcado consumido na pesca em 1,443 euros por litro.
O gás butano vendido ao público, no estabelecimento do revendedor, em garrafas de 26 litros ou mais, passa a custar 2,208 euros por quilo e o vendido em garrafas de 24 litros, construídas em materiais leves (até oito quilos de vasilhame), 2,408 euros por quilo. O gás butano canalizado é fixado em 2,208 euros por quilo e o gás butano a granel em 1,801 euros por quilo.
Desde fevereiro, com este novo aumento, o preço da gasolina nos Açores sobe 32,3 cêntimos por litro, o preço do gasóleo 53 cêntimos por litro e o preço do gás butano 52,2 cêntimos por quilo.
Manifestando "profunda preocupação e indignação" face à "escalada abrupta" do preço dos combustíveis nos Açores, a FPA considera que o agravamento é "absolutamente incomportável" para a maioria das empresas do setor, numa altura em que o combustível representa 40% dos custos operacionais de alguns segmentos de frota/embarcações, sendo, por isso, determinante para a sua viabilidade económica.
A Federação das Pescas, presidida por Jorge Gonçalves, sustenta que a situação agrava-se por coincidir com o arranque da safra do atum, "um momento crítico" para a atividade, porque existem embarcações com "consumos diários que podem atingir os mil litros".
"Neste contexto, a sustentabilidade económica de muitas empresas fica seriamente comprometida, colocando em causa a continuidade de algumas empresas", alerta, insistindo que se está perante "uma escalada de preços sem precedentes, profundamente injusta, ofensiva e desproporcionada face às exigências que têm sido impostas ao setor".
A federação aponta também que "desde fevereiro, o gasóleo para a pesca já tinha registado um agravamento de 0,16 euros por litro", alegando que com a nova atualização "o aumento acumulado atinge os 0,52 euros por litro, um valor absolutamente incomportável para a generalidade das empresas do setor".
Perante este cenário, segundo a federação alguns armadores admitem não sair para o mar nos próximos meses, o que poderá ter consequências "devastadoras" na fileira das pescas, desde a captura e produção, até à comercialização do pescado, na economia regional e ainda no rendimento de centenas de famílias dependentes da pesca.
A federação sublinha ainda que, pela primeira vez, o preço do gasóleo para a pesca nos Açores ultrapassa o praticado no continente, onde existem apoios ao setor, bem como em outras regiões como Madeira, Canárias e Espanha, onde os armadores beneficiam de medidas compensatórias.
Perante este cenário, a federação defende que "é imperativo que Portugal avance, com urgência, com medidas concretas de apoio ao setor, à semelhança do que já acontece noutros países da União Europeia".
"Torna-se igualmente essencial assegurar, de imediato, a aplicação nos Açores do apoio de 0,10 euros por litro em vigor no continente, enquanto não são definidas soluções estruturais mais robustas", defende, apelando a uma "resposta articulada" entre os governos Regional e da República, já que "os momentos de crise exigem liderança, responsabilidade e ação".
"É urgente uma resposta rápida, firme e eficaz que salvaguarde um setor estratégico, essencial não só para a economia regional, mas também para a identidade e coesão social dos Açores", salienta.
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