Seca extrema em 2023 causou escassez e levou à especulação nos preços,
Após dois anos de escassez devido à seca, há mais feno e forragens este ano no Alentejo, graças ao inverno e primavera chuvosos, com os agricultores a encherem os 'celeiros' ou a pagarem menos, se comprarem.
"Produziu-se três ou quatro vezes mais que no ano passado e os agricultores aproveitaram para encher os armazéns", afirmou esta sexta-feira à agência Lusa Diogo Vasconcelos, presidente da Associação dos Jovens Agricultores do Sul (AJASUL).
O dirigente desta associação com sede em Évora e também produtor lembrou que os celeiros e armazéns "estavam completamente vazios depois de dois anos muito complicados" de seca.
Mas, este ano, o cenário é bem mais positivo, graças à chuva que caiu na região, pois, os agricultores até conseguiram "criar reservas para tempos mais difíceis".
"Os animais estão melhores, mais gordos e em melhor condição física e temos comida armazenada para o inverno", disse, antevendo que, "se tudo correr como é suposto", os agricultores vão "ter menos gastos" do que no ano passado.
Mesmo quem não tenha produção de feno e recorra ao mercado para fazer o aprovisionamento para o inverno, acrescentou, vai "comprar agora a metade do preço", o que se traduz "numa poupança grande".
Mais a sul, no distrito de Beja, indicou à Lusa o presidente da Associação de Agricultores do Campo Branco (AACB), António Aires, também "foi um ano bom de produção de feno e pastagens", o que constitui, "se calhar, a salvação da produção agropecuária".
Este aumento de produção é "uma segurança" para os produtores, que, nos anos anteriores, chegaram a pagar "entre 250 e 260 euros por tonelada" para terem com que alimentar o seu efetivo pecuário, afirmou o responsável desta associação com sede em Castro Verde.
"Agora, a maior parte das explorações agropecuárias ficam, em princípio, com alimentação animal para o próximo ano", assinalou, acrescentando: "Ficamos com alimento no campo e com alimento armazenado para o inverno".
Um cenário idêntico é observado no distrito de Portalegre, com Rui Vacas de Carvalho, do Agrupamento de Produtores Pecuários do Norte Alentejano - Natur-al-Carnes, a admitir à Lusa que "não há memória" de um ano agrícola como este.
Lembrando que 2023 foi marcado pela seca extrema, existindo especulação nos preços, o dirigente agrícola considerou que, 2024, devido a um ano agrícola "bastante melhor", já era esperada uma redução dos custos.
"As pessoas habituaram-se a pagar pelo feno 25, 26 e 27 cêntimos [por quilo], no ano passado, e, este ano, baixou um bocadinho, porque foi um ano bom para as pastagens semeadas e baixou para os 15, 16, 17 cêntimos", relatou.
Já a palha, de acordo com Rui Vacas de Carvalho, está a ser comercializada este ano a 11 cêntimos por quilo.
Por seu turno, o secretário técnico da Associação Nacional de Criadores de Ovinos da Raça Merina (ANCORME), Tiago Perloiro, corroborou à Lusa que este é "um ano nunca visto" para a produção de feno e forragens.
"A quantidade de forragem, de feno espontâneo e de feno semeado foi bastante boa, o que permitiu guardar alimento, que, do ponto de vista nutritivo, é muito mais completo, para fazer face agora ao período alimentar de mais escassez", sublinhou.
Escusando-se a apontar uma estimativa de aumento, Tiago Perloiro disse ter a certeza que a subida foi grande: "Agora já estão a ser recolhidos, mas em todos os bocadinhos de terra viam-se fardos redondos e quadrados, grandes e pequenos".
Por isso, este ano, haverá "uma maior economia nas explorações", visto que, em anos anteriores, "não foi possível fazer feno e os animais, como precisavam de ser alimentados, teve que se comprar" esse produto, sublinhou.
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