Autarca espera mesmo que seja possível começar a desconfinar na segunda-feira.
O presidente da Câmara de Odemira disse esta sexta-feira que acredita no levantamento da cerca sanitária nas freguesias de São Teotónio e Longueira-Almograve já na próxima semana e espera mesmo que seja possível começar a desconfinar na segunda-feira.
Em entrevista à agência Lusa, José Alberto Guerreiro revelou-se "fortemente convicto" de que as restrições poderão ser levantadas ao fim de 14 dias de isolamento daquelas duas freguesias e revelou que, nesse sentido, propôs ao Governo algumas medidas de desconfinamento que espera ver refletidas já num despacho a ser publicado durante a tarde de hoje.
"Eu já acreditava na semana passada [que a cerca sanitária podia ser levantada esta semana] e isso não aconteceu, mas agora estou fortemente convicto que sim. Senão, não me atreveria sequer a propor medidas, dias antes, de alguma abertura, de algum desconfinamento dentro da cerca", frisou.
O autarca garantiu, no entanto, que todas as medidas de levantamento de restrições terão de assegurar que o risco de transmissão da covid-19 não aumenta, porque, sublinhou, "se isso comportar algum risco, então é preferível manter os 14 dias e temos de nos aguentar todos".
"A medida que propusemos é de que fossemos até aos 10 dias com uma cerca nos mesmos moldes que temos e depois pudéssemos, até ao 14.º dia, ir desconfinando dentro das cercas. Isto é, poder ter já alguma circulação, obviamente controlada por testes", revelou José Alberto Guerreiro.
A proposta, garantiu, abrange "todas as atividades" e cidadãos que trabalhem naquelas duas freguesias, pois "há pessoas que neste momento não estão a trabalhar e também estão em dificuldades".
"Há toda uma circulação de pessoas em torno desta zona, Odemira, São Teotónio, [Vila Nova de] Milfontes, Longueira-Almograve, mesmo para Odeceixe, que é uma circulação muito intensa. Portanto, se pudermos ter [levantamento de restrições] com segurança e um bocadinho mais de responsabilidade das pessoas, garantimos na mesma os 14 dias [de cerca sanitária], aumentando um bocadinho o risco, é verdade, mas a testagem ajudava-nos a segurar esse mesmo risco", apontou.
"Falta perceber", no entanto, "de que forma é que essa testagem é feita" e "deve ser nisso que as equipas" do Governo "estão a trabalhar neste momento".
"Espero que seja mais ou menos este o contexto que descrevi, em que, antes de segunda-feira não haja alteração das regras, e que, de segunda-feira a quinta-feira, possa haver alguma abertura, mas com este controlo de testes que demonstre que a pessoa não está infetada", reforçou o presidente da Câmara de Odemira.
O autarca admitiu, no entanto, que a imposição da cerca "não se deveu só aos números que se verificavam na altura", mas também "ao elevado risco de propagação" que as autoridades de saúde detetaram nas duas freguesias.
"Foram encontrando situações incómodas, muitas vezes com alguma preocupação de propagação da doença a situações de maior dimensão. Havia, no entender das autoridades de saúde, um risco elevado. Daí até concluirmos que o número de casos deve decidir uma cerca, eu não sou técnico de saúde, mas é redutor estarmos a dizer isso. Houve mais informação relativamente ao risco de propagação", admitiu.
As freguesias de Longueira-Almograve e São Teotónio, no concelho de Odemira, estão em cerca sanitária desde a semana passada por causa da elevada incidência de covid-19 entre os imigrantes que trabalham na agricultura na região.
Na altura, o Governo determinou "a requisição temporária, por motivos de urgência e de interesse público e nacional", da "totalidade dos imóveis e dos direitos a eles inerentes" que compõem o complexo turístico ZMar Eco Experience, na freguesia de Longueira-Almograve, para alojar pessoas em confinamento obrigatório ou permitir o seu "isolamento profilático".
O Governo decidiu enviar também imigrantes para a Pousada da Juventude de Almograve.
Na quinta-feira, em Conselho de Ministros, o Governo decidiu que a cerca sanitária aplicada nas freguesias de São Teotónio e Longueira-Almograve vai manter-se, mas com "condições específicas de acesso ao trabalho" a partir de segunda-feira.
Um total de 49 imigrantes que trabalham na agricultura no concelho de Odemira, no distrito de Beja, todos com testes negativos para o novo coronavírus SARS-CoV-2, que provoca a covid-19, foram realojados, tendo uns sido colocados no Zmar e outros na Pousada da Juventude de Almograve, na quinta-feira de madrugada.
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