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Autarcas contra redução do horário dos CTT em várias freguesias da região Oeste

Horário atual dos postos de correio varia entre as seis e as sete horas diárias e foi imposta uma redução para as três horas e meia.

15 de maio de 2026 às 13:02

Autarcas de várias freguesias da região Oeste em cujas instalações funcionam postos dos correios manifestaram-se esta sexta-feira contra a redução do horário para metade e dos respetivos custos a partir de outubro imposta pelos CTT.

Nas freguesias contactadas pela agência Lusa, o horário atual dos postos de correio varia entre as seis e as sete horas diárias e foi imposta uma redução para as três horas e meia, com a respetiva diminuição da compensação paga às freguesias, a partir de outubro.

Questionados pela agência Lusa, os CTT justificaram que a medida decorre do "contexto de acentuada quebra estrutural da procura pelo serviço postal tradicional" e "em função dos respetivos níveis de procura pelos serviços postais e volumes de tráfego".

"Na grande maioria dos casos, atendem em média menos de 15 clientes por dia", acrescentaram.

No concelho de Torres Vedras, é o caso da freguesia do Maxial e Monte Redondo (PS), onde os CTT querem reduzir o horário do serviço nas instalações de Monte Redondo.

"Vejo isto como uma redução de um serviço público essencial prestado à população, que é na sua maioria idosa e necessita do serviço para levantar as reformas ou encomendas, tendo em conta que Monte Redondo dista 12 quilómetros da cidade", afirmou à Lusa Nelson Aniceto, presidente da assembleia de freguesia.

Em Campelos e Outeiro da Cabeça (PSD), a proposta de redução é para Campelos.

"Já não é um serviço tão essencial, mas é útil à população, sobretudo para o correio registado, facilita as pessoas porque tem um horário mais alargado dada a concentração de serviços e esta redução é penalizadora", disse José Damas Antunes, presidente da junta.

No Sobral de Monte Agraço, a presidente da Junta de Freguesia da Sapataria, a independente Cláudia Santos, discorda da decisão. As instalações da junta "servem para servir a população e não para reduzir serviços, a freguesia está a 15 quilómetros da sede de concelho e muita gente vem ao posto receber as reformas ou entregar ou levantar encomendas", sublinhou.

A autarca adiantou que contestou a medida junto da administração dos CTT e, em resposta, foi-lhe imposto o horário entre as 09:00 e as 12:00 a partir de julho e não outubro, como tinha sido comunicado em meados de abril.

No concelho da Lourinhã, a freguesia de Marteleira e Miragaia (PS), cujo serviço postal funciona nas instalações de Miragaia, está na mesma situação.

"Não se justifica esta redução, porque as pessoas evitam ir à Lourinhã, porque em Miragaia é um serviço mais rápido e mais personalizado e funciona à hora de almoço", referiu a presidente Mónica Severino, para quem a medida é "injusta e penalizadora".

O mesmo acontece na Moita dos Ferreiros (PSD), cujo presidente Rui Perdigão "não concorda, porque a população está habituada a recorrer ao serviço de apoio e, sendo uma população envelhecida e sem uma rede de transportes eficaz, precisa dele, caso contrário tem de se deslocar às vilas da Lourinhã ou do Bombarral, que distam, respetivamente, 10 e sete quilómetros".

"É vergonhoso, porque é retirar um serviço de extrema importância, lesando as contas de uma entidade pública, a junta, em prol de uma empresa privada, o que é gestão danosa", acrescentou o autarca.

Os CTT esclareceram ainda que "as situações de redução previstas compreendem a existência de um ponto de acesso CTT alternativo a curta distância, não colocando em causa, em nenhuma circunstância, o acesso das populações à oferta de serviços postais".

O atendimento ao público nas instalações das freguesias continua a funcionar o dia todo, motivo pelo qual alguns autarcas mostraram disponibilidade aos CTT para aceitarem a manutenção do horário completo do serviço, apesar ficarem com menor compensação financeira.

Segundo os autarcas, a redução de horário afeta outras freguesias destes concelhos e desta região, como também a nível nacional.

Os autarcas manifestaram o seu descontentamento à Associação Nacional das Freguesias, com quem os CTT estão em negociação.

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