Governo reforça a importância de antecipar medidas de prevenção e de proteção das pessoas em maior risco, como idosos, crianças, grávidas e pessoas com doenças crónicas.
As autoridades de saúde preveem um aumento da mortalidade nos próximos dias, em que está prevista uma onda de calor, com temperaturas máximas que podem chegar aos 44 graus, disse esta quarta-feira a secretária de Estado da Saúde.
"As estimativas nacionais atualmente disponíveis, baseadas no Índice ÍCARO, desenvolvido pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, apontam para um potencial aumento da mortalidade nos próximos dias, caso se mantenham as condições meteorológicas previstas", anunciou a secretária de Estado da Saúde, Ana Povo, em conferência de imprensa, no Ministério da Saúde, em Lisboa, sobre o plano da Saúde para as ondas de calor.
A governante salientou que esta informação reforça a importância de antecipar medidas de prevenção e de proteção das pessoas em maior risco, como idosos, crianças, grávidas e pessoas com doenças crónicas.
"Estamos preparados, estamos vigilantes e contamos mais uma vez com a colaboração de todos para evitarmos que esta onda de calor tenha consequências graves para saúde da população", salientou Ana Povo.
O presidente do Conselho Diretivo do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), Fernando almeida, também presente na conferência de imprensa, explicou que estas previsões "dependem sempre das condições climatéricas" e que os excessos de mortalidade que são estimados, "normalmente só se refletem dois ou três dias depois de um período de calor".
A diretora-geral da Saúde, Rita Sá Machado, salientou que o país vai atravessar a 6.ª onda de calor desde o início do ano e que o impacto destes fenómenos pode ser sentido até 15 dias depois no excesso de mortalidade.
"De uma forma preliminar, conseguimos ver que houve algum excesso de mortalidade em Portugal, mas foi reduzido face aos restantes países da Europa e não é associado especificamente ao calor", apontou, adiantando que as causas de morte em Portugal nesta altura são sobretudo as mesmas do habitual, isto é, doenças cardiovasculares, acidentes vasculares cerebrais (AVC) e cancros.
Da parte do INEM, o presidente, Luís Cabral, adiantou que está previsto um reforço dos efetivos nos Centros de Orientação de Doentes Urgentes (CODU), para garantir a resposta adequada nos dias de maior afluência.
Da parte da linha de atendimento SNS24, o presidente dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS), Luís Goes Pinheiro, avançou que está a ser feito um reforço dos turnos.
Os distritos de Lisboa e Setúbal vão estar sob aviso vermelho por causa do calor a partir de quinta-feira, estendendo-se na sexta-feira a Coimbra e Leiria, segundo o IPMA.
O aviso vermelho é o mais grave e surge numa altura em que Portugal entra num período de temperaturas elevadas, com máximas que podem chegar aos 44 graus e mínimas entre os 24º e os 28º.
A secretária de Estado da Saúde apelou à população para que acompanhe as recomendações emitidas pela DGS e demais autoridades competentes.
É recomendado à população uma hidratação adequada ao longo do dia, bebendo pelo menos 1,5 litros de água, mesmo sem sede, que evite a exposição solar durante as horas de maior calor, entre as 11:00 e as 17:00, a permanência em ambientes frescos sempre que possível, que feche as persianas durante o dia e areje a casa nas horas de menor calor, o uso de chapéu, roupa leve, larga e de cores claras, a adaptação da atividade física às condições meteorológicas e que contacte atempadamente o SNS24 ou os serviços de saúde perante quaisquer sinais de agravamento do estado de saúde.
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