Os alunos dos 4º e 6º anos de escolaridade realizaram ontem, em mais de seis mil escolas, as provas de aferição da disciplina de Matemática, depois de terem testado os conhecimentos a Língua Portuguesa na segunda-feira. À semelhança do que aconteceu no ano passado, as provas realizadas este ano revelaram "pouca exigência", o que tem gerado diversas críticas dirigidas ao Ministério da Educação. <br/><br/>
A Sociedade Portuguesa de Matemática considera que as provas de aferição não testam o conhecimento dos alunos relativamente às matérias leccionadas, uma vez que apresentam um número considerável de questões elementares e que não avaliam as capacidades matemáticas. 'As provas não testam o que os alunos devem saber. Testam a leitura, a compreensão mas não avaliam a matéria propriamente dita. Um exemplo disso é a pergunta 16 da prova de aferição do 6º ano. Nela é pedido que o aluno faça uma conta de multiplicar elementar. Isto não é uma prova para um aluno do 6º ano porque não testa absolutamente nada. É demasiado simples', revelou ao CM Nuno Crato, presidente da Sociedade Portuguesa de Matemática.
Como tal, e de acordo com o professor universitário, 'o facto de os alunos terem bons resultados não significa que estejam aptos para continuar o percurso escolar, dado que as provas não estão adaptadas ao grau de exigência do ano de escolaridade'. E acrescenta: 'Os alunos do Primeiro Ciclo deveriam ser capazes de responder às questões da prova do 6º ano.'
Para Mário Fernando Oliveira, aluno do 6º ano da EB 2,3 Marquesa de Alorna, em Lisboa, a prova decorreu sem qualquer dificuldade. 'Foi muito fácil, tal como a prova de Língua Portuguesa. Fiz várias provas de anos anteriores para treinar e estudei todo o fim-de-semana. Acho que valeu a pena porque consegui fazer os exercícios todos.'
Opinião semelhante tem Tiago Correia, aluno do 4º ano da EB Grão Vasco, em Viseu. 'Foi uma prova fácil. Só estudei para a fazer nos últimos dois dias. Mas espero ter boa nota. Para mim a Matemática não é difícil', garantiu.
PROVA DO 6.º ANO CONSTITUÍDA POR 23 QUESTÕES
A prova de aferição de Matemática destinada ao 4º ano de escolaridade foi constituída por 20 questões, nas quais se pretendeu avaliar a interpretação de gráficos, os cálculos que permitem achar a área e o diâmetro. Os sólidos, figuras geométricas e números foram igualmente matéria alvo de aferição.
No que diz respeito à prova realizada no 6º ano, os alunos tiveram de responder a 23 questões, divididas em duas partes. Neste tipo de avaliação, o objectivo foi avaliar o cálculo da média, do diâmetro e das fracções, bem como o conhecimento relativamente a figuras geométricas e polígonos.
De acordo com a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, os resultados das provas de aferição serão conhecidos 'daqui a um mês'.
COM MAIS DOIS DIAS DE AULAS
Os alunos que não tiveram aulas enquanto se realizavam as provas de aferição dos 4.º e 6.º anos serão compensados com mais dois dias de escola no final do ano lectivo. A decisão do Governo visa ultrapassar as dificuldades com que algumas escolas se debateram por não terem salas disponíveis para isolar os alunos que realizaram as provas.
DEPOIMENTOS
'MAIS UM TREINO QUE LHES SERÁ ÚTIL' (Ana Valentim, Lisboa, mãe)
'Estas provas são boas para que eles se possam adaptar à realidade. Sou apologista do método e, como tal, encaro isto como mais um treino que lhes será útil no futuro.'
'ERA MAIS DIFÍCIL DO QUE PORTUGUÊS' (André Grilo, Évora)
'A prova era mais difícil do que a de Português. Como já estou chumbado a Matemática, não estudei muito. Também não conta para a nota. Mas até era acessível.'
'GOSTO MUITO DE MATEMÁTICA' (Andreia Lourenço, Viseu)
'Gosto muito da disciplina de Matemática, pelo que não tive de estudar muito. No segundo período tive nota 4. Espero ter uma boa nota nesta prova.'
'À ESPERA QUE FOSSE MAIS DIFÍCIL' (Pedro Pó, Santarém)
'Correu bem. Achei a prova muito fácil e até estava à espera que fosse mais difícil. Só tive mais dificuldade na resolução do problema, mas já estava à espera desta matéria.'
'PERDI OS NERVOS QUANDO VI O TESTE' (Francisco Miranda, Faro)
'A prova de Matemática correu bem. Julgo que a de Português foi mais acessível. Estava nervoso, mas perdi os nervos quando vi o teste, pois esperava mais dificuldade.'
SAIBA MAIS
LITERACIA A MATEMÁTICA
No ranking da literacia dos 30 países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico), Portugal está em 26.º lugar.
235 534
Alunos dos 4.º e 6.º anos de escolaridade realizaram as provas de aferição a Língua Portuguesa e a Matemática em 2008.
8,8%
Percentagem de negativas à disciplina de Matemática no 4.º ano em 2008, o que representa uma diminuição para metade em relação a 2007.
NÃO CONTA PARA NOTA
O resultado deste tipo de aferição não conta para a nota final mas pode ser mais um elemento da avaliação contínua.
PRESERVATIVOS NAS ESCOLAS
O Partido Socialista mantém a sua posição em relação à distribuição gratuita de contraceptivos nas escolas secundárias apenas com uma alteração. O PS propõe agora distribuir contraceptivos em articulação com as unidades de Saúde. O projecto inicial de lei socialista defendia que apenas os gabinetes de informação e apoio deviam assegurar aos alunos, a partir do 10º ano, a 'distribuição gratuita de métodos contraceptivos não sujeitos a prescrição médica, existentes nas unidades de Saúde'. Quem já se mostrou crítico à distribuição de preservativos nas escolas foi a Confederação Nacional das Associações de Pais, que considera a medida um 'tremendo disparate'.
Ontem, na Comissão Parlamentar de Educação, foram aprovadas algumas propostas de alteração ao projecto inicial. Os conteúdos programáticos da Educação Sexual serão definidos pelo Governo e não pela lei. A carga horária destes módulos curriculares vai ser adaptada a cada nível de ensino. Os socialistas aceitaram a proposta do deputado independente José Paulo Carvalho, que prevê um mínimo de seis horas anuais para os 1º e 2º Ciclos do Ensino Básico e de 12 horas para os restantes níveis de escolaridade. Foram também aprovados outros artigos que reforçam o papel dos pais neste projecto educativo.
A sugestão do CDS-PP quanto ao carácter opcional da frequência dos módulos relativos à Educação Sexual foi rejeitada. Na opinião do deputado Abel Baptista, o Governo devia respeitar a opção das famílias com 'convicções diferentes'. O projecto de lei socialista vai continuar a ser discutido na próxima semana.
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