A estação de bombagem estava sem energia elétrica desde 28 de janeiro
A única bomba que permite retirar para o canal principal do Mondego, a água acumulada nos campos agrícolas por efeito dos cursos de água afluentes da margem direita do rio, começou hoje "finalmente" a funcionar, anunciou o município.
Em nota enviada à agência Lusa, a câmara do Baixo Mondego informou que a bomba da estação de bombagem do Foja - localizada a jusante da isolada povoação da Ereira e da vila sede de concelho - "já se encontra em funcionamento, após a reposição da energia elétrica esta tarde" e que a entrada em operação daquele equipamento com 40 anos, é "fundamental para a gestão hidráulica do território e para a mitigação da subida dos níveis de água no concelho de Montemor-o-Velho", distrito de Coimbra.
No comunicado, o município lembrou que o presidente da Câmara, José Veríssimo, tem insistido, desde o início da situação de risco de cheia, há mais de uma semana, "para a necessidade urgente da ligação elétrica daquela infraestrutura", junto do Governo, nomeadamente do secretário de Estado da Proteção Civil, da Agência Portuguesa do Ambiente, Proteção Civil regional e nacional e outras entidades envolvidas.
Adiantou que a estação de bombagem estava sem energia elétrica desde 28 de janeiro, aquando da passagem da depressão Kristin, "impedindo o seu normal funcionamento numa fase particularmente crítica, marcada pelo Vale do Mondego inundado, com a população da Ereira completamente isolada, fortes condicionamentos nos acessos às freguesias da margem esquerda do rio Mondego, zonas ribeirinhas inundadas e a água já a atingir a vila de Montemor-o-Velho".
Deste modo, "a entrada em funcionamento da bomba constitui um passo relevante no esforço de contenção e gestão da situação de cheia, permitindo reforçar a capacidade de resposta no território".
O comunicado não explica, no entanto, que, apesar da bomba em causa (a única de seis projetadas) poder ajudar a diminuir a acumulação de água, tem uma capacidade limitada a um máximo de 6 metros cúbicos por segundo (m3/s), quando, naquele espaço de tempo, aflui ao Foja o dobro daquela quantidade de água (12 m3/s), proveniente do chamado leito abandonado do Mondego e da vala da Ereira.
Por outro lado, a própria ribeira de Foja (que atravessa as freguesias de Ferreira-a-Nova e Maiorca, no concelho da Figueira da Foz) e entra no Mondego precisamente na estação de bombagem, também contribui para a acumulação de água no local e nos campos agrícolas em redor, há vários dias transformados num imenso mar.
Já uma fonte ligada ao processo, explicou à Lusa que a única bomba disponível, embora possa ajudar numa inundação, não foi projetada para funcionar em situação de cheia, mas antes para ajudar a drenar os campos, junto com as valas de enxugo do sistema hidroagrícola, antes da colheita do arroz.
A estação de bombagem possui ainda um total de cinco comportas, também de acionamento elétrico -- funcionaram até agora com recurso a um gerador que não conseguia fazer funcionar a bomba -- mas só três estão operacionais.
Estas comportas só podem ser abertas quando o caudal do Mondego é inferior, em altura, à água acumulada no interior da estação de bombagem, o que tem acontecido, a espaços, nomeadamente na maré baixa.
Acresce que face à degradação do sistema hidráulico do Mondego, o sistema de comportas está 'roto' por baixo, deixando entrar, quando fechado, alguma água do canal principal do rio que deveria travar, uma situação que se mantém há vários anos.
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