O símbolo desenhado na calçada portuguesa no Chiado para os turistas com smartphone terem informação rápida sobre a zona não funciona. Aponta-se o telemóvel e… nada. A ideia custou mais de vinte mil euros ao Turismo de Portugal.
O código de barras bidimensional (QR Code) desenhado na calçada portuguesa no Chiado, para dar informação turística sobre a zona, não está a funcionar. Para o comprovar basta apontar o telemóvel para o símbolo que as pedras a negro realçam e perceber que nada acontece, quando na realidade deveriam surgir no ecrã as informações sobre o local.
Instalado na calçada entre a Rua Serpa Pinto e a Rua Garrett, o sistema custou 21.300€ ao Turismo de Portugal e deveria servir como serviço para promover a zona. No entanto, em vez de auxiliar os turistas está a revelar-se um fracasso, até porque, de acordo com o que o CM apurou junto da Câmara Municipal de Lisboa (CML), já sofreu várias intervenções e continua sem funcionar.
A ideia é original, já que aproveita a calçada portuguesa - um património da cultura nacional - para instalar o desenho do código de barras bidimensional e assim chamar a atenção dos turistas, servindo para o telemóvel informação útil sobre aquela área da cidade. O problema é que o QR Code não chega a disponibilizar qualquer informação, já que não funciona, como o CM constatou no local, usando um smartphone, inclusive com duas aplicações diferentes para o efeito.
Margarida Figueiredo, da Direção Municipal de Economia e Inovação da Câmara de Lisboa, explicou que a autarquia "apenas cedeu os calceteiros e a autorização para o espaço público ser usado para o efeito", cabendo à Associação Valorização do Chiado (AV Chiado) "a responsabilidade dos conteúdos e da manutenção do sistema".
De acordo com o site http://www.despesapublica.com/ , a implementação da iniciativa custou 21.300€ ao Turismo de Portugal, que fez uma adjudicação direta à empresa MSTF Partners, parceira da AV Chiado na apresentação da ideia. (clique para ver o detalhe do contrato público)
No entanto, o uso desta tecnologia acabou por gerar algumas dores de cabeça. "O QR Code teve que ser refeito duas ou três vezes por não estar a funcionar", revelou a mesma responsável da Direção Municipal de Economia e Inovação da Câmara de Lisboa.
O Correio da Manhã esteve no local para ver como se interage com o sistema e deparou-se com um problema: o QR Code não estava a funcionar. O CM experimentou ter acesso à informação fornecida por este código de resposta rápida através de duas aplicações diferentes - próprias para ler os símbolos da família do que foi desenhado pelos calceteiros -, e não obteve qualquer resultado.
Sendo por funcionar ou não, a verdade é que a maior parte das pessoas que passa hoje em dia naquela zona do Chiado ou não repara no QR Code, ou repara e não interage, o que também sugere uma ineficácia na divulgação.
"Pensava que era um símbolo convencional como muitos desenhos que fazem parte da calçada portuguesa, mas agora que vejo com mais atenção noto que é algo novo e diferente", disse Bruno Basto, um dos transeuntes abordados pelo CM no local.
O Correio da Manhã tentou contactar o Turismo de Portugal e a AV Chiado mas, até à publicação desta notícia não conseguiu obter qualquer esclarecimento sobre o não funcionamento do QR Code, bem como sobre as questões associadas ao mesmo.
Depois de quatro dias sem responder a qualquer pergunta do CM, a MSTF Partners entrou em contacto com o jornal afirmando que "o sistema está a funcionar na perfeição". Tomás Froes, um dos sócios da empresa alegou que "deve ser um problema do leitor de QR Code". Uma anomalia, explicou, relacionada "com as pedras utilizadas na calçada" e foi mais longe: "ainda hoje estive lá e está impecável".
A verdade é que, quando o CM esteve no local, nenhuma das duas aplicações usadas conseguiu ler o código em questão. Tomás Froes avança com uma explicação: "há alguns leitores de QR Code que têm o código source do Windows que têm alguma dificuldade em funcionar. Explicámos à Microsoft o problema e eles disseram que os novos [leitores] interagem bem". A justificação até pode ser legítima, muito embora o responsável se tenha pronunciado sem saber que aplicações foram utilizadas pelo CM.
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