Proposta, assinada pelo vice-presidente da autarquia, Gonçalo Reis, prevê a cessação de funções de Teresa do Passo, enquanto vogal não executiva e não remunerada do conselho da administração da Carris.
A Câmara de Lisboa vota na quarta-feira a substituição da administradora não executiva da Carris Teresa do Passo, numa proposta que surge depois de a gestora denunciar uma alegada exclusão de reuniões e acesso a informação da empresa.
A proposta, assinada pelo vice-presidente da autarquia, Gonçalo Reis, prevê a cessação de funções de Teresa do Passo, enquanto vogal não executiva e não remunerada do conselho da administração da Carris, propondo a sua substituição pelo vice-presidente da Mesa da Assembleia Geral da Carris, Pedro Brito Dinis, até ao final do mandato, em 2029.
No documento, a que a agência Lusa teve acesso, justifica-se as alterações com os desafios que a empresa enfrenta, nomeadamente os projetos de descarbonização da frota, renovação dos ascensores e elétricos, o desenvolvimento do Elétrico 16 para Loures e do metrobus até Oeiras, defendendo que a função de administrador não executivo deve ser exercida por um perfil "robusto do ponto de vista técnico na área da mobilidade" e com "experiência e conhecimento amplos no setor dos transportes".
A proposta prevê igualmente a substituição de Pedro Dinis por José Pedro Ramos Ascensão no cargo de vice-presidente da Mesa da Assembleia Geral da Carris.
A exoneração de Teresa do Passo surge numa altura em que a gestora denunciou uma alegada exclusão de reuniões e de acesso a documento de gestão por parte da atual administração da Carris, liderada por Rui Lopo, segundo noticiou a TSF.
A denuncia foi feita através de uma carta enviada por Teresa do Passo aos vereadores da Câmara de Lisboa, na qual se queixa do presidente do conselho de administração da Carris, Rui Lopo, e do vice-presidente da empresa, Francisco Pinto Machado.
"Logo desde o início do atual mandato do Conselho de Administração (CA) da Carris, em janeiro deste ano, o presidente e os administradores executivos adotaram procedimentos e praticaram atos que, de forma objetiva e reiterada, impediram ou restringiram o exercício das funções que legal e estatutariamente me competiam enquanto administradora não executiva", lê-se na carta, a que a Lusa teve acesso.
Na mesma carta, Teresa do Passo refere ainda ter alertado os administradores executivos para alegadas irregularidades em processos de compras e contratação de serviços, designadamente relacionados com elevadores e funiculares, e afirma que nunca, em 33 anos de gestão de entidades públicas, sentiu necessidade de denunciar práticas desta natureza a um executivo municipal.
"Defendi, com fundamento escrito, posições que considerei indispensáveis ao reforço da segurança da operação, que não foram atendidas pelos membros executivos, nomeadamente sobre aquisição de serviços de reparação de autocarros com motor avariado aquisição de serviços de Responsável Técnico de Exploração para o Funicular da Graça e para o Elevador de Santa Justa, a aquisição de calços de travão para a manutenção de elétricos, aquisição de serviços de reparação e fabrico de peças em fibra para substituição de para-choques e carenados de elétricos", exemplifica.
A administradora refere ainda que já tinha comunicado estas situações ao conselho fiscal da empresa e ao vice-presidente da Câmara de Lisboa, Gonçalo Reis.
"Como era meu dever, dos factos acima expostos e porque foram desconsideradas todas as minhas tentativas de os ultrapassar, dei conhecimento ao Conselho Fiscal e ao Senhor Vice-Presidente da Câmara, Dr. Gonçalo Reis, através de comunicações escritas datadas de 7 de maio e 29 de junho", indica.
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