Esta quinta-feira, o presidente do Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana (IHRU) disse que Luísa Salgueiro (PS) "não tem razão" sobre as 204 casas por construir em Matosinhos, lamentando "declarações públicas incendiárias".
A presidente da Câmara de Matosinhos questionou, esta quinta-feira, "o que andou" o Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana (IHRU) "a fazer até agora" sobre 204 fogos no concelho, respondendo ao presidente do instituto, que esta quinta-feira contrariou a autarca.
"Sobre os terrenos estarem devidamente registados, se o IHRU só soube há dias da situação dos terrenos, a primeira pergunta a fazer é: O que andou o instituto a fazer até agora? Mas a questão nem se coloca, porque a afirmação não corresponde à verdade", pode ler-se numa resposta de fonte oficial da Câmara de Matosinhos às declarações desta quinta-feira do presidente do IHRU, Benjamim Pereira.
Esta quinta-feira, o presidente do IHRU disse que Luísa Salgueiro (PS) "não tem razão" sobre as 204 casas por construir em Matosinhos, lamentando "declarações públicas incendiárias".
"Eu percebo que a senhora presidente da câmara, enfim, queira posicionar-se politicamente dentro do partido, se calhar, e é por isso que está tão agressiva com o IHRU, mas foi sempre muito bem tratada pelo IHRU, pelos trabalhadores do IHRU", disse.
Fonte da Câmara de Matosinhos afirma que "a senhora presidente da Câmara não comenta nem critica por cálculo político", mas sim "porque é a voz dos matosinhenses, e é a ela que compete defender os seus direitos.
"A crítica existe porque Matosinhos tem uma necessidade que não foi satisfeita. O município fez a sua parte com autonomia e cumpriu as 512 casas do PRR. As que ficaram por fazer são as do IHRU", refere a autarquia do distrito do Porto.
O caso de 204 casas por construir em Picoutos levou a autarca a escrever ao IHRU por duas vezes e a aguardar respostas do instituto, que já respondeu à Lusa que mantém a intenção de construir os 204 fogos previstos para Matosinhos, mas agora com financiamento do Banco Europeu de Investimento (BEI), após a não inclusão no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).
"Enviei um ofício na semana passada à senhora presidente, exatamente a dizer-lhe se estava pronta para fazer a escritura de cedência do direito de superfície a favor do IHRU, para que o IHRU possa agora avançar com a operação", acrescentou esta quinta-feira o presidente do IHRU, que disse que os terrenos não estavam "devidamente registados para poderem passar em direito de superfície para o IHRU", pelo que, por causa disto, o projeto "nem sequer poderia ter sido concretizado".
Lamentando que "parece que as culpas estavam do lado do IHRU", Benjamim Pereira considera que "muito do que tem sido dito publicamente não corresponde à verdade".
Segundo Benjamim Pereira, "não houve nenhum tipo de discriminação negativa em relação ao município de Matosinhos, era só o que faltava", e o caso matosinhense "é um bom exemplo" de que "os processos para avançarem têm de estar todos de mãos dadas, e os municípios devem trabalhar com o IHRU e o IHRU com os municípios".
"Não com declarações públicas incendiárias que não ajudam nada a resolver os problemas da habitação em Portugal", vincou.
Em causa está um concurso para conceção de 204 casas em Picoutos, que foi ganho pelo Atelier Carvalho Araújo em 2023, que em 06 de outubro revelou que não tinha contrato, obra, nem respostas do Governo e do IHRU relativamente ao projeto.
A Lusa noticiou igualmente que a Câmara de Matosinhos também aguardava resposta do instituto, após ter enviado duas cartas a pedir explicações sobre o tema, em maio e setembro.
O IHRU refere que "o concurso de seleção do projeto para a operação de 204 fogos em Matosinhos sofreu alguns contratempos, nomeadamente a solicitação de esclarecimentos adicionais por parte dos concorrentes, que originaram prorrogações de prazos e alongaram a data de fecho do concurso".
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