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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Mau tempo atrasa campanha da cereja no Fundão

Em 2017, por esta altura, já se colhiam os primeiros frutos.

26 de abril de 2018 às 11:27

A campanha da cereja no Fundão vai começar este ano com duas a três semanas de atraso devido às condições climatéricas atípicas de março, disse à agência Lusa o presidente da Cerfundão, organização de produtores da Cova da Beira.

"Há efetivamente um atraso de duas a três semanas e mesmo a sul da Gardunha [onde as cerejas amadurecem mais cedo] ainda temos pomares em flor, ou seja, o processo de vingamento ainda nem se iniciou", explicou José Pinto Castello Branco.

Tal como lembrou, em 2017, por esta altura, já se colhiam as primeiras cerejas, mas este ano a entrada tardia da primavera e a chuva constante que se verificou ao longo do mês de março e início do abril acabaram por atrasar o amadurecimento do fruto.

"Os ciclos de produção estão efetivamente muito atrasados e continuamos a depender das condições climatéricas para que tudo corra dentro da normalidade, mas se não tivermos mais percalços as primeiras colheitas devem começar entre o dia 15 e o dia 20 de maio", especificou José Pinto Castello Branco, lembrando que, em 2017, a 26 de abril já havia cerejas colhidas.

Questionado sobre os reflexos que as alterações do tempo podem ter na produção, para além do atraso verificado, José Pinto Castello Branco, que também é produtor de cereja, explica que ainda é cedo para fazer prognósticos, visto que só após o vingamento é que se percebe melhor o ponto da situação em termos de quantidade e qualidade.

"Os vingamentos mais precoces têm estado a correr bem, mas não se sabe como é a partir daqui. Além disso, se as pessoas se ressentem com estas mudanças bruscas, também é natural que as árvores possam sentir estas viragens súbitas", apontou.

Este responsável mantém, todavia, a expectativa de que tal não aconteça e que, quando chegar a hora, as cerejas do Fundão cheguem com a qualidade que as distinguem.

Quanto ao início da campanha da cereja na Cerfundão, José Pinto Castello Branco frisa que "está tudo a postos" e que a estrutura estará preparada para dar resposta às necessidades, no dia em que os produtores começarem a colher.

O Fundão, no distrito de Castelo Branco, tem atualmente entre 2.000 a 2.500 hectares de pomares de cerejeiras, área que tem vindo a crescer todos os anos e que leva que este concelho seja considerado uma das maiores zonas de produção de cereja a nível nacional.

De acordo com um levantamento feito pela autarquia, a fileira da produção de cereja neste concelho (que inclui subprodutos e negócios associados), já representa mais de 20 milhões de euros por ano na economia local.

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