O cavalo lusitano é cada vez mais conhecido em França e, embora seja "um nicho de mercado", valoriza a imagem de Portugal no estrangeiro como país de "cultura" e "tradição", considera o Presidente do Instituto do Cavalo.
Carlos Pereira, presidente do Instituto do Cavalo e da Equitação Portuguesa em França, disse também à agência Lusa que gostava de poder ampliar essa imagem, construindo uma academia equestre centrada na raça lusitana e na arte de marialva.
Por agora, o também investigador na Sorbonne gere uma escola de equitação em Louvres, na periferia de Paris, onde tem oito animais.
Carlos Pereira diz que o cavalo lusitano encanta os franceses. É um animal "atlético" e "artista", e é já "a primeira raça estrangeira" em França.
"É um cavalo muito apreciado, sobretudo na área do espectáculo. É o primeiro cavalo de espectáculo aqui. Companhias de espectáculo, como a Academia de Versalhes, a Bartabas, o circo Alexis Gruss, o Museu do Cavalo de Gentilly, têm todas cavalos lusitanos. Também nas provas de competição internacional começamos a ver cada vez mais esta raça", afirmou.
Do ponto de vista económico, explicou, o cavalo lusitano é um "nicho de mercado". Contudo, é importante para Portugal: "Valoriza muito a imagem do país. Dá uma imagem de tradição, de arte, e de cultura", defendeu.
Carlos Pereira tem ajudado a construir e a difundir essa imagem. Exemplo disso é a organização anual, com o apoio do consulado-geral de Paris, do Prémio de Portugal, "uma corrida de cavalos no hipódromo de Vincennes, que tem um impacto mediático muito relevante".
Mas este português queria fazer mais: "Eu queria criar uma academia de equitação maior do que esta que tenho, também num espírito português", contou. Mas para isso, diz, as quatro patas da raça lusitana precisam de uma mãozinha. "Isso só se faz com meios", disse.
Por agora, nesta escola, que fica a uma hora de Paris, Carlos Pereira tem entre 10 e 12 alunos, de idades e condições sociais diversas, a maioria franceses: "A ideia aqui é iniciar vários cavaleiros na arte de marialva, a picaria, o toureio a cavalo, o trabalho a pé. E também que isto seja um espaço para descobrir a raça lusitana", explicou.
Véronique T., 32 anos, monta a cavalo desde pequena. No final de um treino, e depois de ter tratado do seu lusitano Malmequer, contou à Lusa que se apaixonou pela raça há dois anos.
"Adoro os cavalos lusitanos. São magníficos, têm muito bom moral, trabalham com leveza, têm agilidade. É disso que gosto neles. E é também interessante aprender ao mesmo tempo que eles, a fazer alguns movimentos, durante os treinos", disse.
José Louro, português emigrante em França há 42 anos, começou a montar a cavalo nessa altura, para perder o medo. Nunca mais largou a equitação e, se puder escolher, prefere montar um lusitano.
"São cavalos fisicamente mais equilibrados, ao nível do carácter são nervosos mas calmos ao mesmo tempo, não são maus, são cavalos que se montam com mais ligeireza do que os cavalos franceses", afirmou.
Nesta escola uma aula custa entre 15 e 60 euros, mas se o cavaleiro tiver pouco dinheiro, e se compensar em arte, técnica e experiência, pode treinar sem pagar.
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