Unidade tem obras de requalificação paradas desde 2023 face a processo judicial.
A atividade clínica no Centro de Saúde de Celas poderá vir a ser suspensa face à falta de obras da Câmara de Coimbra para resolver questões de segurança, alertou esta quarta-feira o coordenador de uma das unidades de saúde familiar (USF) daquele espaço.
"Não temos um cronograma [para intervenções urgentes no Centro de Saúde de Celas]. Há uma listagem de temáticas a ser resolvidas, mas sem datas. Não temos nada até ao momento", disse à agência Lusa o coordenador da USF Coimbra Celas, João Rodrigues.
Em maio, a Câmara de Coimbra, presidida por Ana Abrunhosa (PS/Livre/PAN), tinha-se comprometido a avançar com uma intervenção no Centro de Saúde de Celas para resolver problemas imediatos de uma unidade que tem as obras de requalificação paradas desde 2023 face a processo judicial.
Questionada pela Lusa, fonte oficial da Câmara de Coimbra disse esta quarta-feira que já está concluída a "fase de planeamento" das intervenções a realizar, estando em curso "os procedimentos necessários para a concretização das medidas consideradas prioritárias".
O município admitiu que os prazos inicialmente acordados tiveram de ser alterados, por pedido da autarquia, face à "complexidade das questões em análise e da importância de desenvolver um trabalho técnico devidamente fundamentado, envolvendo diferentes departamentos e áreas de especialidade".
A Câmara de Coimbra realçou ainda que o plano de intervenção "encontra-se concluído e foi remetido à administração da Unidade Local de Saúde (ULS) no passado dia 17 de junho".
No entanto, segundo João Rodrigues, esse mesmo plano não se compromete com datas para as intervenções consideradas urgentes, tendo ficado surpreendido com declarações da autarquia, na semana passada, em que afirmou que a solução seria a construção "de um novo centro de saúde".
"Isso não aquece nem arrefece, porque a questão são as atuais instalações. Um novo centro de saúde será para daqui a três ou quatro anos", disse.
Perante esta situação, se até sexta-feira não for dado qualquer compromisso de datas, a USF irá "acionar os mecanismos legais para questionar quem de direito" sobre se há ou não condições "para o atendimento ao público", afirmou João Rodrigues.
Já a Unidade Local de Saúde (ULS) de Coimbra esclareceu que já foram "enviadas algumas datas", mas admitiu que ainda está a ser trabalhado, em conjunto com a Câmara, o cronograma final da intervenção, estando a aguardar "mais informações".
"Sabemos que a Câmara está empenhada e a trabalhar ativamente nesse assunto", disse, em resposta escrita à Lusa.
A ULS de Coimbra acredita que o trabalho "de grande parceria" com a autarquia irá permitir "chegar a uma solução com a maior brevidade".
Em meados de maio, a ULS de Coimbra também tinha mostrado a mesma convicção de que a autarquia iria resolver, "em tempo útil, esta situação", quando o prazo para a entrega de um plano devidamente calendarizado era no final daquele mês.
Questionada sobre se planeia acionar os mecanismos para avaliar as condições de segurança do atual edifício, fonte oficial da ULS afirmou que já foram desencadeados "os procedimentos para avaliação das condições de segurança do centro de saúde, um trabalho realizado em conjunto, entre a Câmara Municipal de Coimbra e a ULS de Coimbra, do qual resultou um quadro das ações de melhoria a implementar".
Para João Rodrigues, a principal preocupação é "não haver um horizonte de compromisso sério".
No 'site' da USF, numa nota assinada pelo coordenador na terça-feira, é referido que os jardins do centro de Saúde "continuam abandonados, há sérios riscos de cair uma varanda, não há um plano de emergência do edifício (Bloco C), continuam a existir problemas na acessibilidade para pessoas com problemas motores e os contentores [da USF CelaSaude, deslocalizada para junto do antigo pediátrico] estão sem grandes condições".
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