Concentração ocorreu na Praça Marques de Pombal, seguindo depois até ao Campo 24 de agosto, local onde "há dois anos dois imigrantes argelinos foram brutalmente espancados por um grupo neonazi".
Cerca de 200 pessoas, segundo a organização, manifestaram-se esta quarta-feira no Porto em memória das vítimas em Portugal dos "crimes de ódio", no primeiro protesto sobre o tema organizado na cidade no Dia de Portugal.
Organizado pela associação Vida Justa e pelo SOS Racismo a concentração ocorreu na Praça Marques de Pombal, seguindo depois até ao Campo 24 de agosto, local onde "há dois anos dois imigrantes argelinos foram brutalmente espancados por um grupo neonazi", disse Aline Rossi, da Vida Justa.
"Esta data tem a ver com o resgatar da memória de Alcindo Monteiro, que foi assassinado há 31 anos, em Lisboa. Desde então temos visto um crescendo desses crimes de ódio e o endurecimento das leis [para os imigrantes] também a nível do Parlamento Europeu e da Assembleia da República em Portugal", acrescentou.
Segundo Aline Rossi, trata-se de decisões que "têm consequências reais na violência diária, contribuindo para o crescimento dos crimes de ódio" razão porque decidiram ir para as ruas na data de hoje para "disputarem esse discurso e marcar a memória de Alcindo Monteiro e de todas as outras vítimas".
Joana Santos, por seu lado, justificou a opção pelo dia de hoje, argumentando que "o Dia de Portugal é um dia de todos e que não deve ser apropriado por uma ideia de identidade portuguesa que cheira a colonialismo, que cheira ao tempo da 'outra senhora', numa alusão à ditadura do Estado Novo.
Preocupada com a "legitimação de um discurso violento e de ódio contra as pessoas migrantes e racializadas", a responsável do SOS Racismo diz haver "uma dupla força, no parlamento e em grupos internacionais, de caráter informal, mais ou menos encapotado, que tem vindo a tomar espaço nas redes sociais e em determinadas esferas".
"Felizmente, também existe um movimento social antirracista crescente e grupos de pessoas migrantes, de minorias éticas, nomeadamente da comunidade cigana, que cada vez mais têm vindo a tomar espaço público e voz nesta luta", referiu.
Aline Rossi explicou depois a importância de "mobilizar migrantes e pessoas que vivem em situação de vulnerabilidade, de precariedade muito grande", enfatizando essa dificuldade por serem pessoas que "no feriado estão a trabalhar nos centros comerciais, na agricultura, nos Ubers, nos transportes de modo geral".
"Por isso, quando se consegue aumentar o número de pessoas que se mobilizam em torno de uma causa, isso significa que se consegue disputar a consciência, o discurso, que se consegue ocupar o espaço e transmitir a mensagem, quer para grupos paramilitares, neonazis, grupos de extrema-direita informais na rua, quer no parlamento, quer para aqueles que tomam as decisões políticas, que nós temos o apoio da população", continuou.
Questionada sobre o aumento dos crimes de ódio em Portugal na última década e o que possa ter falhado, Joana Santos respondeu que o fenómeno esteve "escondido em Portugal e em muitos dos países com a história colonial", defendendo que isso ajuda a perceber a chegada "com muita força a Portugal dos grupos de extrema-direita".
"Eles estavam aí, no fundo, e isto também revela uma camada de ressabiamento quanto a uma perda de um imaginário do Império Português", continuou a responsável, admitindo que, até então, "havia um bocadinho mais de vergonha" na verbalização de ideias e comportamentos racistas.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.