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Chuva provocou danos, mas bacia de retenção da Várzea evitou inundações em Setúbal

Bacia de retenção da Várzea encontra-se atualmente com cerca de 30% da sua capacidade.

07 de fevereiro de 2026 às 15:00

As chuvas intensas dos últimos dias provocaram quedas de árvores, deslizamentos de terras e danos em vias rodoviárias, mas a bacia de retenção da Várzea evitou inundações na baixa da cidade, informou este sábado a Proteção Civil de Setúbal.

"A saturação dos solos levou à acumulação de água à superfície, causando inundações pontuais em campos e arruamentos, bem como a degradação do pavimento, com buracos ocultos por lençóis de água e riscos acrescidos para a circulação rodoviária", disse à agência Lusa José Luís Bucho, coordenador do Serviço Municipal de Proteção Civil, salientando que os maiores problemas têm ocorrido na zona de Azeitão.

"Não é altura para reparar estradas, mas é fundamental sinalizar e apelar à prudência", referiu, sublinhando a necessidade de os condutores respeitarem os limites de velocidade nas zonas condicionadas.

Este responsável destacou o papel da bacia de retenção da Várzea, que se encontra atualmente com cerca de 30% da sua capacidade, apesar da quantidade de precipitação registada.

"Está a corresponder plenamente à nossa expectativa e a reter as águas provenientes das ribeiras do concelho", disse.

"Sem essa infraestrutura, as ribeiras já teriam transbordado e a zona da Baixa poderia estar completamente inundada", sublinhou José Luís Bucho.

Apesar do mau tempo que se regista desde o passado dia 28 de janeiro, a Proteção Civil registou apenas um desalojado no concelho, um homem residente em Azeitão, que ficou sem o telhado da sua habitação devido à intempérie, tendo sido acolhido temporariamente na Pousada da Juventude de Setúbal e, posteriormente, encaminhado para um lar, em articulação com os serviços sociais municipais.

O coordenador da Proteção Civil Municipal salientou ainda que persistem problemas no fornecimento de energia elétrica em algumas zonas de Setúbal, com falhas devido a avarias nas redes exteriores.

O município de Setúbal tem no terreno mais de 100 operacionais, entre bombeiros voluntários e sapadores, serviços municipais, trabalhadores das juntas de freguesia e dos serviços municipalizados, que continuam a tentar responder ao maior número possível de ocorrências relacionadas com o mau tempo.

As zonas mais críticas incluem áreas florestais e estradas, designadamente a estrada entre a zona da Restinguinha e a praia da Figueirinha, onde caíram mais de 200 árvores, prevendo-se que os trabalhos de limpeza e estabilização se prolonguem por várias semanas.

Como medida preventiva, a Proteção Civil decidiu encerrar temporariamente os cemitérios do concelho, devido à presença de árvores de grande porte (ciprestes) que necessitam de avaliação técnica, face ao risco de queda.

Treze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.

O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.

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