Molécula poderá representar um avanço significativo no tratamento de tumores sólidos através de Terapia Fotodinâmica.
Um grupo de investigadores da Universidade de Coimbra desenvolveu uma molécula inovadora que poderá representar um avanço significativo no tratamento de tumores sólidos através de Terapia Fotodinâmica, divulgou esta terça-feira a instituição.
A molécula foi desenvolvida por uma equipa do Departamento de Química da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), em colaboração com a empresa Luzitin SA.
Segundo a instituição, o desenvolvimento de medicamentos eficazes contra tumores sólidos enfrenta dois grandes desafios: a acumulação seletiva do fármaco no tumor e a sua capacidade de infiltração para alcançar todas as células tumorais.
A abordagem dominante tem sido o desenvolvimento de moléculas cada vez maiores e de nanopartículas mais complexas, que, apesar de aumentar a seletividade, compromete a penetração em tumores densos e rígidos.
A equipa de Coimbra, contrariando a tendência, optou pela estratégia inovadora de identificar a menor estrutura molecular com propriedades farmacológicas ideais para Terapia Fotodinâmica.
Daqui resultou a síntese da molécula LUZ51, o mais pequeno fotossensibilizador conhecido que absorve luz infravermelha.
Segundo Luís Arnaut, professor da FCTUC, a Terapia Fotodinâmica "baseia-se na ativação de um fotossensibilizador através de luz vermelha ou infravermelha" e, na presença de oxigénio, "esta ativação desencadeia uma cascata de reações químicas que levam à morte das células tumorais".
"Uma das grandes vantagens desta terapia é a sua elevada seletividade: o fármaco é praticamente inócuo sem luz, permitindo destruir o tumor apenas na área iluminada", explicou o investigador do Centro de Química de Coimbra, citado numa nota de imprensa enviada à agência Lusa.
Os estudos realizados demonstraram que a LUZ51 se acumula 13 vezes mais nos tumores do que nos tecidos adjacentes, é rapidamente internalizada pelas células tumorais e induz a sua morte quando ativada por luz infravermelha.
Em modelos animais, a Terapia Fotodinâmica com LUZ51 permitiu curar ratinhos com tumores agressivos e relativamente grandes, preservando os tecidos saudáveis circundantes e minimizando efeitos adversos.
"Um dos resultados mais notáveis foi observado no tratamento do análogo humano do cancro da mama triplo negativo. Mesmo quando o tumor primário já apresentava sinais de metastização para os pulmões, o tratamento local com LUZ51 levou à redução significativa e, em alguns casos, à eliminação, das metástases pulmonares", revelou o cientista.
"Estes dados sugerem que a Terapia Fotodinâmica com LUZ51 poderá ativar o sistema imunitário do hospedeiro, promovendo uma resposta antitumoral para além da área diretamente tratada", acrescentou.
Apesar do enorme potencial demonstrado, os investigadores sublinharam que a LUZ51 terá ainda de ser avaliada em ensaios clínicos antes de poder ser utilizada em doentes oncológicos, um processo que poderá demorar cerca de cinco anos.
Ainda assim, a descoberta abre novas perspetivas para tratamentos mais seletivos, eficazes e com menor impacto nos tecidos saudáveis.
A molécula LUZ51 foi patenteada pela Universidade de Coimbra e pela Luzitin SA e os resultados dos estudos in vivo foram publicados na revista científica Angewandte Chemie International Edition.
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