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Cientistas desenvolvem método de dessalinização que pode melhorar acesso a água potável

Método emprega painéis solares cuja superfície, feita em metal preto gravado com 'lasers' ultrarrápidos, absorve muito a luz e atrai a água.

27 de maio de 2026 às 16:24

Cientistas desenvolveram nos Estados Unidos um método de dessalinização da água usando painéis solares que, reproduzido em larga escala, permitirá melhorar o acesso a água potável no mundo, foi esta quarta-feira divulgado.

O método emprega painéis solares cuja superfície, feita em metal preto gravado com 'lasers' ultrarrápidos, absorve muito a luz e atrai a água.

Os painéis têm uma região ativa, tratada a 'laser', que atrai uma fina camada de água ao longo da superfície, absorve quase toda a radiação solar, destila a água e deposita os sais e minerais sobrantes em zonas dos painéis não tratadas com 'laser' para que o sal não entupa a região ativa e afete a dessalinização contínua, descreve em comunicado a Universidade de Rochester, que conduziu o trabalho, divulgado na publicação científica Light: Science & Applications.

Segundo os investigadores, que usaram amostras de água dos oceanos Atlântico, Pacífico e Índico, o novo processo de dessalinização produz água doce de uma forma energeticamente eficiente, permitindo extrair a quase totalidade dos sais, sem deixar depósitos de salmoura nem exigir aditivos químicos para tratar previamente a água.

O sal extraído com este método pode ser usado, por exemplo, como tempero na cozinha.

Num outro artigo, divulgado na publicação Journal of Materials Chemestry A, a mesma equipa de cientistas descreve o uso dos mesmos painéis solares absorventes para separar o lítio - presente nas baterias de equipamentos eletrónicos e de veículos elétricos - de outros sais no processo de dessalinização.

No caso, a superfície dos painéis tem nanopartículas de titanato de hidrogénio (material semicondutor) que isolam o lítio de outros sais e minerais.

Durante o processo de dessalinização, para o qual usaram desta feita amostras de água do Grande Lago Salgado, localizado no estado norte-americano do Utah, os investigadores conseguiram extrair quase 50% de lítio do remanescente de sais.

De acordo com os cientistas, a tecnologia, reproduzida em larga escala, permitirá melhorar o acesso a água potável no mundo e construir cadeias mais sustentáveis de fornecimento de minerais preciosos.

O trabalho realizado na Universidade de Rochester releva que, ao contrário do método que foi testado em laboratório com pequenos dispositivos, as técnicas de dessalinização mais comuns consomem muita energia, requerem tratamento prévio ou posterior da água e deixam para trás uma quantidade de água saturada de sal (salmoura) que, quando devolvida ao oceano, aumenta o nível de sal e baixa o oxigénio da água, causando danos na vida marinha.

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