Maria da Graça Carvalho ouviu as lamentações e reconfortou os comerciantes que viram os seus negócios destruídos.
O desespero de comerciantes de Alcácer do Sal, alguns em lágrimas, perante os seus negócios destruídos pelas cheias, foi este sábado testemunhado pela ministra do Ambiente, enquanto o município prepara o pedido de apoios financeiros ao Governo.
Durante uma visita às zonas afetadas pelas inundações desta semana na cidade de Alcácer do Sal, no distrito de Setúbal, a ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, ouviu as lamentações e reconfortou os comerciantes que viram os seus negócios destruídos.
Ao lado da presidente da Câmara de Alcácer do Sal, Clarisse Campos, Maria da Graça Carvalho percorreu a Avenida dos Aviadores e o largo do Mercado Municipal, onde observou o rasto deixado pelas cheias, provocadas pela subida do Rio Sado, que saiu do leito e galgou as margens, devido à chuva intensa e às descargas das barragens.
Apesar de a situação já ter melhorado com o escoar da água, os danos para os proprietários são muitos e com valores avultados, que ainda estão a ser avaliados e contabilizados.
Uma comerciante de origem chinesa, ao relatar à ministra o estado da sua loja, aberta há 19 anos, desabou em lágrimas, sendo consolada pela governante, que prometeu que não vai ficar sozinha e vai ter ajuda no retomar do negócio.
"Eu não sabia nadar, o meu marido tinha medo de morrer lá dentro. Ele disse deixa tudo, não dá para fazer nada, vamos embora", contou a comerciante, que viu a sua loja ficar inundada num instante, tendo a força da água derrubado prateleiras e estantes de ferro.
O lar de idosos da AURPICAS situado na avenida e evacuado logo na quarta-feira, cujos utentes foram levados para outra estrutura da mesma instalação na zona alta da cidade ou para casa de familiares, estava hoje a ser limpo pelas funcionárias, que se mostraram tristes com a situação.
Mais à frente na rua, cheia de lama, a agência Lusa observou o interior de um supermercado, com produtos a flutuarem ainda na água, sentindo-se um cheiro menos agradável no ar, talvez proveniente dos alimentos estragados ou da água dos esgotos, que subiu com as cheias.
Maria da Graça Carvalho visitou ainda uma loja de venda de produtos agropecuários. Para aí entrar, teve que se colocar em cima de paletes, tendo o proprietário afirmado que o prejuízo "é enorme, de milhares de euros", pois esta semana tinha recebido um carregamento no valor de 40 mil euros.
No largo do mercado, um comerciante de eletrodomésticos relatou que está "minimamente habituado" a inundações no local, recordando que a zona afetada era uma área de hortas no passado e que já passou pelas cheias "duas ou três vezes".
Questionada pela Lusa, a autarca Clarisse Campos estimou que os estragos causados pelas intempéries no concelho vão ser financeiramente "muito avultados".
No entanto, sublinhou, ainda não é possível apresentar um balanço definitivo, uma vez que as equipas municipais estão a trabalhar em conjunto com os proprietários afetados para contabilizar todos os prejuízos.
Para fazer face aos danos, que também atingiram os setores agrícola e florestal, serão mobilizados instrumentos de apoio a nível nacional e regional.
A ajuda, conforme referido pela ministra do Ambiente, envolverá não só a sua própria área governativa, mas também o Ministério da Economia e o Turismo de Portugal, com vista a apoiar as atividades económicas locais, em particular a hotelaria e a restauração.
"Nós vamos socorrer-nos de todos os meios para podermos ajudar quem acabou por sofrer com esta situação", afiançou a autarca.
A passagem da depressão Kristin por Portugal continental, na quarta-feira, deixou um rasto de destruição, causando pelo menos cinco mortos, segundo a Proteção Civil, vários feridos e desalojados. A Câmara da Marinha Grande contabiliza ainda uma outra vítima mortal no concelho. No concelho da Batalha, distrito de Leiria, um outro homem de 73 anos morreu este sábado ao cair de um telhado quando estava a reparar as telhas.
Quedas de árvores e de estruturas, corte ou o condicionamento de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações foram as principais consequências materiais do temporal.
Leiria, por onde a depressão entrou no território, Coimbra e Santarém são os distritos que registam mais estragos.
O Governo decretou situação de calamidade entre as 00:00 de quarta-feira até às 23:59 de dia 01 de fevereiro para cerca de 60 municípios, número que pode aumentar.
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