INEM assegurou que os registos clínicos e operacionais foram efetuados "através dos sistemas informáticos em utilização, não tendo existido qualquer situação" que obrigasse ao recurso à triagem em papel.
A Comissão de Trabalhadores (CT) do INEM denunciou este sábado falhas no sistema informático OnCall, utilizado nos Centros de Orientação de Doentes Urgentes (CODU), alertando para riscos no acionamento dos meios de emergência e exigindo esclarecimentos ao conselho diretivo.
Em comunicado, a CT do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) refere ter recebido "relatos preocupantes" de profissionais sobre o funcionamento do OnCall, cujas falhas "abrangem áreas críticas", incluindo a seleção dos meios de socorro, a localização das ocorrências e dos meios disponíveis e a indicação das unidades hospitalares de destino.
"Perante a gravidade das informações, a Comissão de Trabalhadores enviou, na passada segunda-feira, um pedido urgente de esclarecimentos ao conselho diretivo, questionando quem validou o sistema, se existiam erros conhecidos antes da sua implementação, quantas anomalias foram já reportadas e que medidas foram tomadas. Até ao momento, não recebemos resposta", critica a estrutura representativa dos trabalhadores do INEM.
A CT refere ainda que o INEM informou os bombeiros e restantes parceiros do Sistema Integrado de Emergência Médica (SIEM) de que, desde 08 de julho, o acionamento das ambulâncias afetas aos Postos de Emergência Médica (PEM) e dos Postos de Reserva passou a depender exclusivamente da informação registada no Portal PEM.
"O próprio INEM reconhece estar ainda a otimizar o sistema informático de atendimento e despacho, ao mesmo tempo que transfere para as entidades a responsabilidade integral pela atualização do estado operacional dos meios", alerta a comissão.
A CT do INEM sustenta que estas alterações aumentam o risco de os CODU receberem "informação desatualizada ou incorreta" e de meios disponíveis deixarem de surgir como operacionais no sistema.
"O presidente do INEM tem de esclarecer se o OnCall ou o Portal PEM condicionaram a seleção do meio, a localização da ocorrência ou a resposta prestada, bem como explicar por que razão o sistema foi colocado em funcionamento sem que estivessem resolvidas todas as falhas críticas", defende a CT.
Há uma semana o Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar (STEPH) tinha alertado que o novo sistema de gestão de ocorrências dos CODU tinha colapsado, obrigando à realização de triagens em papel, acusações que o INEM negou "categoricamente".
Em resposta à Lusa, o INEM assegurou que os registos clínicos e operacionais foram efetuados "através dos sistemas informáticos em utilização, não tendo existido qualquer situação" que obrigasse ao recurso à triagem em papel.
"É categoricamente falso que (...) o sistema dos CODU tenha colapsado, que as triagens tenham sido realizadas em papel", realçou o instituto, adiantando ainda que o INEM dispõe de um sistema de 'call back', que permite recuperar chamadas interrompidas ou não atendidas à primeira tentativa, "assegurando o respetivo seguimento e contacto com os cidadãos".
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