O consumo do tabaco, álcool e canábis aumentou junto dos alunos do 3º ciclo do ensino básico e do ensino secundário, de acordo com o Inquérito Nacional em Meio Escolar sobre o consumo de drogas e outras substâncias psicoactivas, realizado em 2011. Para os especialistas, esta tendência "não tem nada de alarmante", já que reflecte uma tendência verificada nos restantes países na Europa.
Segundo as respostas dos 32 mil estudantes do ensino secundário, houve um aumento da prevalência do consumo de bebidas alcoólicas desde 2001. Metade dos estudantes disse ter bebido cerveja ou bebidas destiladas nos últimos 30 dias, mais de um quarto bebeu vinho e um quinto, ou seja, 50 mil alunos, chegou mesmo a atingir o estado de embriaguez. Note-se que nesta população alvo as situações de embriaguez aumentaram de 34% em 2006 para 42% em 2011.
Quanto ao consumo de tabaco, cerca de 90 mil estudantes disse ter fumado nos últimos trinta dias, número que aumentou nos últimos cinco anos.
O estudo revela ainda que em 2011 mais de um quarto dos alunos inquiridos diz já ter experimentado canábis. Ao estreitar o intervalo temporal para os últimos doze meses, verificamos que 23% dos alunos do secundário terá consumido, pelo menos uma vez, este tipo de droga. O número de consumidores habituais de canábis parece ter registado um aumento, já que, quando questionados sobre o consumo nos últimos trinta dias, cerca de 40 mil alunos (16% do total) terão respondido afirmativamente.
Os dados relativos aos 33 mil alunos do 3º ciclo do ensino básico, revelam, por sua vez, que houve um aumento das percentagens de consumidores de bebidas alcoólicas, tanto ao nível da experimentação, como dos consumos actuais. També aumentaram as percentagens de consumidores de tabaco e as de cannabis.
De acordo com a autora do estudo, Fernanda Feijão, as assimetrias regionais referentes ao consumo estão a diminuir. “As regiões que tinham menos percentagens de consumo e as regiões que tinham maior percentagem estão agora todas a convergir para o mesmo número de consumidores. Ainda não estamos lá mas a tendência, no caso do álcool, do tabaco, e das drogas é para haver uma percentagem de consumidores em todo o país”.
“O que está a acontecer com o álcool e a canábis é que em Portugal, como noutros países da europa, está a haver perfis de desenvolvimento, tendências semelhantes de desenvolvimento do consumo de canábis. A nossa evolução não tem nada de dramático, quando comparado com outros países. Houve aumentos de consumos, na canábis sim, mas além disso temos um factor importante que é o consumo de droga entre os adolescentes, tanto no 3º ciclo, como no secundário, reduz-se praticamente à canábis. A percentagem de alunos que consumiu drogas é de 1%, 2%. É uma experimentação”, alertou a investigadora.
Questionada sobre o impacto da alteração da legislação nacional nos padrões de consumo destas substâncias, Fernanda Feijão chamou a atenção para o facto “da droga, do tabaco e do álcool serem mercadorias e estarem sujeitas às leis do mercado. Não é só a vontade das políticas ou a boa vontade dos políticos em implementar um conjunto de medidas politicas” que influenciam os consumos.
No entanto, para a autora do inquérito, o dado mais preocupante desde dado está relacionado com o esbatimento da assimetria entre os géneros.
“Cada vez mais as raparigas estão a consumir ao nível dos rapazes. Se o esbatimento das assimetrias fosse para baixo, se os rapazes começassem a consumir ao nível das raparigas, seriam boas notícias. Mas o que temos é as raparigas a consumirem ao nível dos rapazes. Em relação a tudo. As diferenças de género são quase inexistentes no tabaco. Depois são mais acentuadas quanto ao consumo de álcool e são maiores relativamente à canábis. Ai não há nenhuma região do país em que os consumidores de canábis sejam raparigas do que rapazes”.
Presente na apresentação das conclusões deste inquérito realizado em ambiente escolar, o secretário de Estado Adjunto do Ministério da Saúde, Fernando Leal da Costa, destacou o peso económico que o consumo do álcool e do tabaco têm no Serviço Nacional de Saúde (SNS).
“Contas feitas em 2007 revelam que o SNS despende, só por causa do tabaco, 490 milhões de euros por ano. O uso de álcool representa no SNS um consumo extra de 200 milhões de euros. Hoje o valor será maior. Está na mão de todos nós podermos diminuir esta despesa. Para manter o que precisamos manter precisamos de redireccionar a nossa despesa”, concluiu o governante.
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