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Associação ambientalista aponta que as crianças "estão a respirar níveis muito preocupantes de gás tóxico".
As crianças da cidade de Lisboa estão expostas a "níveis preocupantes" de poluição do ar junto às escolas, alertou esta segunda-feira a associação ambientalista Zero, propondo a implementação de Ruas Escolares, com a restrição do tráfego rodoviário.
A Zero - Associação Sistema Terrestre Sustentável realizou, pela primeira vez, uma campanha de avaliação da qualidade do ar na envolvente de 15 escolas em Lisboa, através da medição de dióxido de azoto -- principal poluente atmosférico que resulta essencialmente do tráfego rodoviário --, e concluiu que os indicadores registados são "extremamente preocupantes" face ao recomendado pela Organização Mundial de Saúde.
Os resultados da análise são apresentados esta segunda-feira no âmbito do Dia Mundial da Criança, em que a Zero vai promover "uma Rua Escolar provisória" junto ao Jardim Infantil Pestalozzi, na freguesia de Alvalade, com o apoio da Bicicultura e da Câmara Municipal de Lisboa, transformando a Rua Dr. João Soares num "espaço aberto" à comunidade escolar e à vizinhança, permitindo que as crianças usufruam do espaço público "em maior segurança e com menor exposição aos poluentes do tráfego automóvel".
O Jardim Infantil Pestalozzi integra o estudo da Zero relativo à poluição do ar junto às escolas de Lisboa.
"À entrada destas escolas, as crianças estão a respirar níveis muito preocupantes deste gás tóxico", afirmou Rita Prates, responsável pela campanha da Zero, em declarações à agência Lusa.
Das 15 escolas analisadas, localizadas dispersamente por toda a cidade, todas registam concentrações de dióxido de azoto "muito acima do valor máximo recomendado pela Organização Mundial de Saúde", ou seja, superiores a 10 micrograma por metro cúbico (µg/m³), adiantou a responsável.
De acordo com a Zero, analisando os dados face à legislação europeia que entrará em vigor em 2030, com o valor limite de 20 µg/m³, há 14 escolas com valores superiores ao previsto, sendo que a única que cumpre, entre as 15 analisadas, é a Escola Dona Filipa de Lencastre (20,2 µg/m³).
Relativamente ao atual limite legal de concentração de dióxido de azoto, de 40 µg/m³, que nos últimos anos tem sido "recorrentemente ultrapassado" na Avenida da Liberdade, principal artéria do centro de Lisboa, três das 15 escolas registam valores superiores, nomeadamente o Colégio Cesário Verde (57,8 µg/m³), o Colégio Saint Daniel Brottier (48,9 µg/m³) e a Escola Básica (EB) Nuno Gonçalves (40,7 µg/m³), revelou Rita Prates.
Entre as escolas analisadas constam ainda a EB Eugénio dos Santos (38,0 µg/m³), Lycée Français Charles Lepierre (36,7 µg/m³), Colégio do Sagrado Coração de Maria (32,7 µg/m³), Escola Secundária Pedro Nunes (31,8 µg/m³), EB Quinta dos Frades (31,2 µg/m³), EB Sampaio Garrido (30,4 µg/m³), EB Pedro de Santarém (29,1 µg/m³), EB 2,3 Delfim Santos (27,9 µg/m³), EB Bairro de São Miguel (24,2 µg/m³), Jardim Infantil Pestalozzi (23,9 µg/m³) e Colégio Moderno (23,9 µg/m³).
A Zero comparou também os valores registados pelas estações de monitorização de qualidade do ar geridas pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo (CCDR-LVT) com os resultados obtidos junto às 15 escolas, e concluiu que a poluição do ar está presente "de forma generalizada" nos locais analisados e, por isso, "este é um problema estrutural em grande parte da cidade de Lisboa".
"Quanto mais trânsito, quanto mais vias com trânsito tem a escola na sua envolvência, maior é a concentração [de dióxido de azoto]", realçou Rita Prates, referindo que a cidade tem "demasiados carros e pouca utilização de transporte público e bicicleta e, portanto, as próprias escolas são o reflexo disso".
Defendendo uma mudança na mobilidade, a responsável da Zero disse que é preciso dar condições para que as crianças usem o transporte público ou o transporte escolar ou se desloquem a pé ou de bicicleta, até considerando as vantagens a nível de saúde física e mental, bem como no desenvolvimento social.
Neste âmbito, a Zero apela à "implementação sistemática de Ruas Escolares permanentes", que são ruas na envolvência de escolas com restrição total ou parcial ao trânsito automóvel, especialmente nos horários de entrada e saída das crianças, referindo que "já existem milhares de Ruas Escolares pela Europa fora".
"As Ruas Escolares vão afastar a fonte de poluição do trânsito, porque deixa de haver trânsito à porta da escola e, não havendo trânsito, também dão segurança na rua para que as crianças se possam deslocar com os pais ou com os colegas em bicicleta, a pé", acrescentou Rita Prates, sublinhando que a poluição do ar é o maior risco ambiental para a saúde humana e as crianças constituem um grupo particularmente vulnerável.
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