Atual governador do Banco de Portugal afirma que a sua postura em todas as negociações é de "humildade".
Mário Centeno considerou esta segunda-feira que o custo do auxílio à TAP em 2020 poderá ser avaliado "daqui a uns anos" e que um colapso da companhia teria consequências para Portugal que o da Lufthansa não teria para a Alemanha.
"Aquilo que desejo é que a TAP, no contexto do início de processo de recuperação que foi conseguido através daquele empréstimo, possa ter futuro. O custo vamos todos conseguir avaliar daqui a uns anos, podemos achar uns mais do que outros que ele é alto, ele é com certeza significativo para Portugal", afirmou Mário Centeno na comissão de inquérito à companhia aérea, numa audição que durou cerca de três horas.
Questionado pelo deputado da IL Bernardo Blanco sobre o apoio dado à Lufthansa, proporcionalmente menor do que o da TAP, decorrente da pandemia de covid-19, Mário Centeno apontou que, embora a Lufthansa pese menos na despesa pública alemã do que a TAP na portuguesa, "a TAP pesa muito mais no PIB português do que a Lufthansa no PIB alemão".
"Uma debacle [colapso] numa empresa como a TAP em Portugal teria consequências para Portugal que na Lufthansa não teria para a Alemanha", realçou.
Sobre a recente anulação do apoio dado à Lufthansa, o antigo ministro das Finanças disse que "as decisões do Tribunal de Justiça da União Europeia são sobre a legalidade das decisões da Comissão Europeia, por isso é tão conservadora e cautelosa a decidir processos desta natureza", lembrando que o "historial não é de perder processos nestas instâncias".
Mário Centeno foi também questionado sobre as discussões que culminaram na decisão de prestar um auxílio de emergência no valor de 1.200 milhões de euros, aprovado pela Comissão Europeia em 10 de junho de 2020, mas chumbado pela TAP em assembleia-geral no final do mesmo mês, depois da sua saída do Governo, em 15 de junho.
O atual governador do Banco de Portugal disse que a sua postura em todas as negociações é de "humildade", recusando "caminhos únicos", que "normalmente não têm saída".
Quanto ao pagamento de 55 milhões de euros ao ex-acionista David Neeleman para sair da companhia aérea, Centeno reiterou que nem ele, nem os seus secretários de Estado de então "participaram em reuniões conducentes à aquisição de participações sociais de privados na TAP", uma vez que esse processo decorreu após a sua saída do Governo.
Explicou ainda que, até à sua saída do Governo, não havia um aumento da participação do Estado na TAP, porque a ideia era que mantivesse a mesma estrutura acionista.
Questionado pelo deputado do Chega Filipe Melo sobre uma alegada reunião em 09 de dezembro de 2015, com o então presidente da Parpública, Pedro Ferreira Pinto, Mário Centeno disse não haver no seu gabinete registo dessa reunião, que aliás, teria sido no dia do seu aniversário.
O ex-presidente da Parpública afirmou, numa audição da comissão parlamentar de Economia, que teve uma reunião naquela data com os então ministros Pedro Marques, Mário Centeno e os secretários de Estado e chefes gabinete, na qual entregou dossiês, toda a informação pedida sobre a TAP e a sua operação, respondeu a "20 minutos de perguntas" e se disponibilizou para dar mais informação de futuro.
Segundo disse, nunca mais foi questionado sobre o tema, o que disse ter-lhe causado "espanto".
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