Câmara Municipal de Almada anunciou que vai regular a circulação na zona.
O mar revolveu o areal durante o inverno, mas os concessionários da Fonte da Telha adaptaram-se, e agora aguardam que o plano para regular o estacionamento traga mais segurança e permita que os visitantes possam dizer "chegámos ao paraíso".
Em maio, a Câmara Municipal de Almada, no distrito de Setúbal, anunciou que vai regular a circulação na zona, criando duas bolsas de estacionamento na Avenida do Mar, na Aroeira, um sistema de vaivém que leve as pessoas até à praia, uma rotunda, painéis informativos com a lotação do estacionamento e um sistema de controlo de acesso que impeça a entrada de carros na Fonte da Telha quando já não houver capacidade para receber mais viaturas.
Sara Coelho, proprietária de um dos restaurantes da Fonte da Telha, o Kailua, disse, em declarações à agência Lusa, que esta é uma boa notícia para a zona e que ficou com a ideia de que seria em julho.
Já Paulo Barata, do restaurante Areias da Telha, aprova a medida, mas considera que seria mais prudente se fosse iniciada fora do pico do verão para permitir uma adaptação.
"Vão entrar, penso, que à volta de 800 carros. A partir daí só entra quando sai alguém. Isso vai ajudar as pessoas a circularem melhor, a ter mais segurança", disse.
Durante o verão ir à praia da Fonte da Telha tornou-se numa verdadeira prova de paciência. Além das filas de trânsito, o estacionamento faz-se de forma desordenada.
Com estas novas medidas anunciadas, defendeu Sara Coelho, o local "ficará com melhor ambiente".
"Eu acho que é isso que falta à Fonte da Telha. Estamos aqui ansiosos para que isso aconteça, porque acredito que vai trazer mais pessoas, mais calmas, mais felizes. As pessoas vão ter mais soluções para vir à praia sem o desafio do estacionamento", frisou.
"É muito importante para a Fonte da Telha, sem dúvida, mas, na minha opinião, essa situação que tem de ser feita não pode ser este ano, mas sim no início do próximo ano", referiu, por seu turno, Paulo Barata, explicando que as pessoas precisam de se habituar a essa mudança.
Segundo a Câmara Municipal de Almada, as obras já começaram, com a limpeza e a regularização dos terrenos que serão afetos aos parques de estacionamento alternativos. Os trabalhos deverão avançar nos próximos meses, "com flexibilidade para se adaptarem às necessidades que forem sendo sentidas no terreno", e em 2027 o projeto deverá ser afinado e ganhar mais robustez.
O Areias da Telha e o Kailua são dois dos muitos concessionários da Fonte da Telha que sentiram o impacto das tempestades que assolaram Portugal durante o inverno e afetaram a orla costeira portuguesa.
Aqui, o mar cavou o areal e formou paredões de areia, o que obrigou os concessionários a contratar empresas com máquinas que pudessem ajudar a reposicionar as areias de forma a tornar acessível o acesso à praia.
"Realmente ficámos com uma altura de três metros, que não tínhamos antes. A nossa praia sempre foi assim a descair, mas não com essa diferença de altura e tivemos que nos adaptar. Efetivamente tivemos que fazer investimento privado e contratar máquinas para podermos alisar de alguma forma o areal", disse Sara Coelho, adiantando que a própria natureza também fez o seu trabalho, com o mar a trazer alguma areia, a reequilibrar a praia.
Paulo Barata também indicou que este ano o inverno foi muito rigoroso para os concessionários destes espaços. No seu caso, além de o mar ter levado o apoio de praia, não permitindo trabalhar durante esse período e já numa altura pré-época balnear (abril e maio), criou "um paredão" de três metros que impedia o acesso ao mar.
"Este ano foi tudo contra e a parte do areal foi tudo suportado por nós", contou o empresário, proprietário deste espaço há 11 anos, manifestando tristeza por sentir que a Fonte da Telha tem sido pouco acarinhada pelas entidades públicas, relegada para segundo plano.
Também Sara Coelho considera que "falta mão pública" para organizar e oferecer mais qualidade aos milhares de pessoas que usufruem da Fonte da Telha, apontando a necessidade, por exemplo, de existirem casas de banho, assim como mais cuidado na gestão do lixo.
Para a proprietária do Kailua, a manutenção que é feita não acompanha a quantidade de pessoas que vem e que usa uma praia que é cada vez mais procurada por portugueses e estrangeiros.
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