As embalagens de Depuralina apreendidas pela Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) no início do mês – mais de mil latas – continuavam ontem seladas nas farmácias e parafarmácias, apesar de o fim da suspensão deste produto ter sido anunciado na quinta-feira pelo ministro da Agricultura, Jaime Silva.
De acordo com fonte oficial da ASAE, "quando as embalagens são seladas ficam à guarda do tribunal e só podem voltar ao circuito comercial quando a ASAE receber uma notificação do Ministério da Agricultura e a apresentar novamente ao tribunal". Notificação esta que não tinha chegado àquele organismo até ao final da tarde de ontem.
Uma informação desmentida pelo Ministério da Agricultura, que garante ter havido "uma comunicação oficial por mail na quinta-feira, quando as três entidades envolvidas no processo decidiram levantar as restrições à comercialização deste suplemento alimentar".
O atraso na reposição das embalagens nas prateleiras aumenta as críticas dos responsáveis pelo produto às autoridades portuguesas.
Um mês de suspensão da venda de Depuralina terá custado à empresa que comercializa este suplemento alimentar cerca de 2,5 milhões de euros de prejuízo. Caso as autoridades portuguesas não tivessem decidido retirar o produto do mercado, a Dietlab calcula que teriam sido vendidas cem mil embalagens em Abril (o preço de cada uma ronda os 25 euros). A empresa queixa-se da forma como o processo foi conduzido, mas a decisão de recorrer à Justiça contra o Estado só será tomada na próxima semana, após ser analisado o relatório dos três casos em que houve reacções alérgicas.
"Vamos ter de analisar se a decisão foi tomada na altura certa, com os pressupostos certos e se foi respeitada a proporcionalidade [se o perigo para a saúde pública justificou a suspensão]", disse ontem, em conferência de Imprensa, o advogado da empresa, Rogério Alves. Entretanto, as outras embalagens que não tinham sido seladas voltaram às prateleiras.
Ricardo Leite, director técnico da Dietlab, afirmou que "há muita ignorância" em relação aos suplementos alimentares e que a empresa recebeu um tratamento diferente daquele que é dado aos laboratórios farmacêuticos quando um remédio está sob suspeita. E fala em "alarme social", num processo "que não é comum nem aceitável". "Lamento que o director-geral da Saúde tenha vindo a público dizer para não se consumir e não tenha dito nada quando a suspensão foi levantada", disse.
TUTELA NÃO INDEMNIZA
O ministro da Agricultura. Jaime Silva, voltou ontem a defender que não há lugar a indemnizações, já que a suspensão foi "baseada na lei". E deu como exemplo o caso do óleo de girassol para provar que esta medida pode ser aplicada a qualquer produto, em caso de dúvida sobre a segurança para os consumidores.
DATAS-CHAVE
01/04/08 A Direcção--Geral da Saúde determina a suspensão imediata da venda de Depuralina, um suplemento alimentar de venda livre utilizado em dietas. Motivo: suspeitas de produção de efeitos secundários graves, como choque anafiláctico (reacção alérgica que pode levarà morte).
03/04/08 Em 48 horas, a ASAEapreende mais de 1100 latas, correspondendo a 514 quilos. As embalagens ficam seladas nos locais de venda e impedidas de serem vendidas.
08/04/08 As autoridades espanholas decidem suspender também a venda deste suplemento alimentar. Nesse país a decisão não foi motivada por suspeitas de reacções adversas, mas por questões administrativas. A empresa que fabrica o produto não estava licenciada para o efeito.
24/04/08 O Ministério da Agricultura levanta a proibição de venda, depois de as análises realizadas não detectarem substâncias tóxicas nem terem sido confirmados efeitos adversos graves.
APONTAMENTOS
Três casos
São três os casos detectados, mas não se provou uma relação de causa/efeito entre a Depuralina e reacções adversas graves. Dois resultaram em alergias (em número tido como normal noutros alimentos), um em problemas hepáticos. E, neste caso, a empresa garante que a doente estava a tomar três medicamentos que actuam directamente no fígado: um ansiolítico, um remédio para a hipertensão e a pílula.
Análises
Seis outras pessoas queixaram-se do suplemento alimentar, após a Direcção-Geral de Saúde ter alertado a população para que deixasse de tomar o produto.O resultado ainda não foi divulgado.
Vigilância
Os distribuidores da Depuralina garantem que o sistema de vigilância para os suplementos alimentares é igual ao dos medicamentos, mas lamentam não ter sido informados da suspensão.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.