Projeto resulta de uma parceria entre a Universidade de Coimbra e a Sharjah Book Authority.
A digitalização de obras da Biblioteca Joanina, que prevê que cerca de 30 mil livros centenários passem a estar disponíveis digitalmente até 2030, vai entrar numa fase massiva, informou esta quinta-feira a Universidade de Coimbra (UC).
Contactado pela agência Lusa, o vice-reitor da UC para a Cultura, Comunicação e Ciência Aberta, Delfim Leão, explicou que o concurso que hoje foi publicado em Diário da República (DR) significa que o projeto Joanina Digital está a entrar "em fase de digitalização massiva".
O anúncio de procedimento de serviços para digitalização de obras da Biblioteca Joanina da Universidade de Coimbra, com o valor do preço base de cerca de 1,3 milhões de euros e prazo de execução de 12 meses, foi esta quinta-feira publicado em Diário da República.
O projeto Joanina Digital, iniciado em fevereiro de 2024, visa a digitalização e disponibilização de cerca de 30 mil volumes do Piso Nobre da Biblioteca Joanina até 2030, constituindo um novo arquivo patrimonial composto por cerca de 18 milhões de páginas.
O projeto resulta de uma parceria entre a Universidade de Coimbra e a Sharjah Book Authority, com o alto patrocínio do Chefe de Estado do Emirado de Sharjah, representando um investimento de oito milhões de euros.
Em outubro de 2025, a UC promoveu o lançamento da plataforma da Biblioteca Joanina Digital, apresentando publicamente os resultados do projeto-piloto, com destaque para a coleção digital dedicada ao Médio Oriente, "um recurso precioso para a investigação sobre a presença dos portugueses no Golfo e Península Arábica".
No período piloto foram estruturados os processos técnicos e desenvolvida de raiz a arquitetura da plataforma, com a digitalização de cerca de 160 mil páginas e a catalogação de 3.343 volumes, preparando a publicação progressiva de novos conjuntos documentais.
De acordo com a UC, o projeto total de digitalização de cerca de 30 mil volumes, quase 20 milhões de imagens, do Piso Nobre da Joanina, "irá muito além da simples mudança de suporte material dos livros ou da transposição do papel para o digital".
"Traduz-se num esforço programático de valorização do acervo único desta Biblioteca, mas constitui também um convite a todos os povos para cruzarem as suas memórias e referências culturais, abrindo novas vias de colaboração académica, científica e tecnológica", referiu na altura o reitor da UC, Amílcar Falcão.
Desenvolvida pela UC Framework (departamento tecnológico da UC NEXT, uma empresa criada e detida pela Universidade de Coimbra), a plataforma visa disponibilizar "imagens fac-similadas e texto pesquisável, adotando princípios de ciência aberta e de interoperabilidade, e assegurando a integração das futuras coleções na rede Europeana".
O projeto promove "o acesso gratuito a este acervo único, composto por obras desde os primórdios da tipografia até finais do século XVIII, incluindo cartografia e outros documentos históricos".
A plataforma incorpora inovações tecnológicas ao nível das ferramentas de pesquisa, por exemplo, com recurso à inteligência artificial, potenciando novas formas de leitura e de análise --- incluindo a mineração de dados.
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