Ministro da Educação revelou na quinta-feira que já estavam corrigidas mais de 75% das provas e mostrou-se confiante que no dia 17 as pautas serão afixadas.
O Eduqa criou um sistema de reporte de desconformidades para os avaliadores dos exames nacionais e negou a denúncia feita pelo movimento Missão Escola Pública de que os professores deveriam classificar as respostas incompletas como estão.
"As orientações emitidas" pelo Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação (Eduqa) e pelo Júri Nacional de Exames (JNE) "não contemplam a situação descrita" pelo movimento Missão Escola Pública, referiu a instituição pública, salientando que foi implementado "um sistema de reporte de eventuais desconformidades dos itens (botão "Reportar"), permitindo aos professores classificadores a sua sinalização centralmente".
"Na sequência destes reportes", foi realizada, na noite de quinta-feira, "uma intervenção generalizada, permitindo a contínua procura de normalização do processo de classificação", refere o Eduqa, em resposta à denúncia feita pela Missão Escola Pública na sexta-feira.
Nos fóruns onde os professores classificadores podem tirar dúvidas quanto à correção das provas, os supervisores estão a pedir aos docentes que atribuam uma nota às respostas, mesmo que não cheguem todas as folhas em falta, denunciou na sexta-feira Cristina Mota, porta-voz do movimento.
Num dos fóruns, um supervisor confrontado com uma resposta incompleta respondeu: "Deve aguardar que lhe enviem a página em falta. Se isso não acontecer até ao fim do processo, deve classificar com os dados que tem".
A indicação foi dada a um professor, mas é pública e dirigida a todos os que estão naquele fórum, para se evitar a repetição de questões, explicou Cristina Mota.
O ministro da Educação revelou na quinta-feira que já estavam corrigidas mais de 75% das provas e mostrou-se confiante que no dia 17 as pautas serão afixadas.
Entretanto, os diretores escolares questionaram se serão chamados para ajudar no processo que permitirá aos alunos ter acesso aos exames nacionais, pedindo ao ministério da Educação que explique como tudo será operacionalizado.
"Os diretores estão preocupados. Sabendo que é uma novidade no sistema educativo, queremos saber como se vai operacionalizar o processo. Até poderá não passar por nós, mas duvido muito e, se passar, temos de saber o que fazer", diz o presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP).
Este ano, pela primeira vez, foram digitalizadas cerca de 300 mil provas do 11.º e 12.º anos e, devido aos problemas no processo de correção, o Ministério da Educação decidiu que todos os alunos iriam ter acesso aos seus exames corrigidos.
A uma semana de serem afixadas as notas dos cerca de 166 mil alunos, Filinto pede à tutela que esclareça como tudo será feito.
Também a Lusa questionou esta semana o ministério sobre esse assunto, mas ainda não obteve qualquer resposta.
Quanto à correção das provas, Filinto Lima sentiu que, nos últimos dias, "as queixas diminuíram, mas continua a haver problemas".
O também diretor de um agrupamento de escolas mostra-se preocupado com a quantidade de trabalho que os professores corretores estão a receber: "Estes professores são também umas das grandes vítimas desta situação", alertou, lembrando que estes docentes estiveram durante todo um ano letivo a dar aulas e, muitos deles, estão agora assoberbados com provas para classificar.
Entretanto, o porta-voz do PSD, Sebastião Bugalho, disse esta manhã qe os professores que estão a corrigir exames nacionais vão receber horas extraordinárias como "reconhecimento pelo esforço extraordinário".
Em conferência de imprensa na sede do partido, em Lisboa, Sebastião Bugalho anunciou esta decisão, que foi tomada pelo ministro da Educação, e cujo formato do pagamento está a ser definido e será anunciado por Fernando Alexandre.
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