Dois portugueses, D. José Policarpo e D. Manuel Monteiro de Castro, vão estar entre os 118 cardeais que, em meados do mês que vem, reúnem em Conclave para a eleição do sucessor de Bento XVI.
O patriarca de Lisboa já conhece os cantos à casa, participando pela segunda vez na eleição de um papa. Feito cardeal em 2001, por João Paulo II, foi um dos 118 que, a 19 de abril de 2005, elegeram Joseph Ratzinger.
D. Manuel Monteiro de Castro recebeu o barrete cardinalício no Consistório de 18 de fevereiro do ano passado, e participa pela primeira vez num Conclave.
"As minhas expectativas são as de sempre: servir a Igreja querida, amada e fundada por Jesus Cristo, transmitindo a Sua mensagem de fé, de amor, de paz e de bem estar para todos", disse ao Correio da Manhã o Penitenciário Mor da Santa Sé.
D. Manuel encontrava-se no Consistório de ontem de manhã, que sentava em S. Pedro 60 cardeais, e diz ter ficado, como todos, "muito surpreendido".
De resto, o cardeal português, diz que a vida, no Vaticano, prossegue com normalidade .
"Depois do anúncio do Santo Padre, conversámos tranquilamente, sabendo que é necessário preparar o próximo Conclave. Até ao dia 28 de fevereiro temos o trabalho normal", afirma D. Manuel Monteiro de Castro.
D. José Policarpo, que hoje aborda a resignação de Bento XVI em conferência de imprensa, considera que, "com esta decisão, é mais fácil a qualquer papa, no futuro, resignar, devido à diminuição das suas capacidades".
Sublinhe-se que, dos 118 cardeais eleitores que constituirão o próximo Conclave, mais de metade (63) foram feitos cardeais por Bento XVI, levando alguns críticos a afirmar que a sucessão foi preparada.
De resto, apesar de, uma vez mais se falar na possibilidade de um papa de África ou da América Latina, o mais certo é que seja europeu.
POLÉMICAS DESDE ISLÃO A VATILEAKS
Além da obra importante em termos de pensamento e teologia, os quase oito anos de papado de Bento XVI foram agitados com polémicas em que se viu, várias vezes, obrigado a emendar-se a si próprio. A lista inclui a ligação entre Islão e violência, as relações com os integristas, a sida e o preservativo em África, a denúncia de pedofilia de bispos e padres e, no último ano, o caso do mordomo Paolo Gabriele que revelou documentos confidenciais e, depois de julgado e condenado pela justiça do Vaticano, acabou perdoado pelo papa.
O discurso sobre o Islão em setembro de 2006 na Universidade de Ratisbona, na Alemanha , ateou a primeira polémica. A citação de uma frase de 1391 desenterrou uma ideia de guerra religiosa. A mesma infelicidade perseguiu-o ao atacar o preservativo como travão do contágio da sida na viagem a África, em março de 2009. Mais tarde, perante os factos, mudou de opinião. Ficou bem na emenda.
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