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Correio da Manhã

Sociedade
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Dulce Pontes defende avião de Trás-os-Montes

A cantora Dulce Pontes foi uma das últimas passageiras da carreira aérea Bragança/Lisboa, esta terça-feira, e lamentou a interrupção deste serviço público que tem mais passageiros do que alguns transportes da Grande Lisboa, como a própria observou.
27 de Novembro de 2012 às 21:12
A cantora sublinhou que, ao contrário do que muitas vezes se pensa, Bragança "tem uma actividade intensa" e existem muitos profissionais que "necessitam deste meio de transporte"
A cantora sublinhou que, ao contrário do que muitas vezes se pensa, Bragança 'tem uma actividade intensa' e existem muitos profissionais que 'necessitam deste meio de transporte' FOTO: Sérgio Lemos

"Penso que o número de passageiros, são dez mil por ano, mais do que o metro de Almada, justifica a continuidade desta viagem", defendeu a artista que viajou de Lisboa para Bragança no último voo da carreira aérea que está suspensa por tempo indeterminado.

Dulce Pontes é "uma nova filha adoptiva" de Bragança, cidade onde vive há algum tempo, e utilizava frequentemente o avião na sua actividade profissional, nomeadamente para apanhar voos internacionais, no aeroporto de Lisboa.

A partir de agora passará a deslocar-se aos aeroportos espanhóis de Vigo ou de Madrid, que ficam mais próximos de Bragança, para apanhar voos internacionais.

"Não quero falar egoisticamente, mas a mim causa-me um transtorno enorme. É muito diferente ir directamente para ao aeroporto de Lisboa e apanhar uma ligação para outro ponto qualquer do que agora ir duas horas até Vigo e apanhar daí o voo internacional", declarou aos jornalistas no aeródromo de Bragança.

A perda da ligação aérea com a capital não põe em causa a sua permanência em Bragança, mas é um serviço que "faz muita falta".

 


"Existem pessoas que precisam deste voo nomeadamente para receberem tratamentos médicos, existem pessoas que residem aqui e que trabalham em Lisboa ou noutras áreas, e que precisam", observou.

A cantora sublinhou que, ao contrário do que muitas vezes se pensa, Bragança "tem uma actividade intensa" e existem muitos profissionais que "necessitam deste meio de transporte".

Com a perda do avião, o único transporte público que resta aos residentes em Trás-os-Montes para deslocações à capital é o autocarro.

O distrito é o último do País a ter auto-estrada, que ainda se encontra em obras, e que não resolverá o problema das distâncias, do isolamento e da dificuldade de acessos.

Estas são algumas razões que levam a artista que escolheu o Nordeste Trasmontano para morar a apelar: "Há que repensar algumas coisas e realmente pensar em função das necessidades das pessoas."

"Não tenho qualquer cor política, falo apenas como cidadã", sublinhou, insistindo na necessidade de se fazer "um esforço para que se dê continuidade a esta ligação", que considerou "fundamental e todas as pessoas de Trás-os-Montes merecem".

Dulce Pontes lembrou que a região já perdeu o "helicóptero para as urgências", que o INEM decidiu descolar para Vila Real, mas que se manterá por mais algum tempo por decisão judicial.

Há 15 anos que a carreira aérea Bragança/Vila Real/Lisboa funcionava ininterruptamente financiada pelo Estado, através de concurso públicos de concessão.

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