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Correio da Manhã

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Eficácia das medidas do Governo depende de cada um, diz Francisco George

Conselho de Ministros decidiu no sábado que 121 municípios vão ficar abrangidos pelo dever cívico de recolhimento domiciliário.
Lusa 1 de Novembro de 2020 às 11:53
Francisco George
Francisco George
Ex-diretor da Direção-Geral da Saúde Francisco George defendeu este domingo que as medidas tomadas no sábado em Conselho de Ministros para conter a propagação da pandemia de covid-19 só serão eficazes se forem cumpridas por todos.

"Estamos num tempo em que a solidariedade e a união de todos são princípios agora inquestionáveis. É preciso assegurar o cumprimento das medidas decididas, uma vez que, se forem cumpridas por todos, como se pretende, irão reduzir a propagação da atividade do coronavírus", defendeu em declarações à agência Lusa o ex-diretor da Direção-Geral da Saúde (DGS).

Francisco George disse que "eventuais discordâncias" das medidas tomadas no sábado em Conselho de Ministros "devem ser colocadas no final de todo este processo e não agora".

"Mais tarde, olharemos para trás, em análises, não só na dimensão política, como nas decisões tomadas baseadas em provas científicas. Mais tarde, sim, é absolutamente aceitável colocar questões e divergências, mas não agora. Agora é preciso estarmos juntos neste processo", insistiu.

No seu entender, "quer se concorde ou não" com as medidas apresentadas, Francisco George considerou que têm de ser respeitadas.

"A questão é: Uma vez decretadas, têm de ser observadas por todos, à luz do princípio de solidariedade e de reconhecimento da necessidade de cumprimento porque os efeitos vão beneficiar todos e, por isso, todos têm de estar neste processo, apesar de, naturalmente, ser difícil para muitas famílias mas, sublinho, é preciso assegurar a observação das medidas que foram anunciadas", defendeu.

Francisco George considerou ainda que "é preciso insistir num sexto elemento que muitas vezes não é citado, que é a ventilação", e, neste sentido, disse que é necessário "ventilar as casas, os escritórios, as fábricas e privilegiar o ar livre".

"A ventilação dos domicílios, dos compartimentos, ventilar as casas é fundamental. Todos reconhecem que é uma medida de prevenção muito eficaz. O risco de se adquirir a infeção em ambiente fechado é muito superior quando comparado com espaços abertos", rematou.

"A questão dos restaurantes tem que também ter em conta a possibilidade de montarem as mesas fora de portas, nos passeios, naturalmente sem colocar obstáculos à circulação, mas, independentemente daquelas licenças habituais municipais, podíamos promover mais vezes a saída de ambientes fechados", sugeriu.

O Conselho de Ministros decidiu no sábado que 121 municípios vão ficar abrangidos, a partir de quarta-feira, pelo dever cívico de recolhimento domiciliário, novos horários nos estabelecimentos e teletrabalho obrigatório, salvo "oposição fundamentada" pelo trabalhador, devido à covid-19.

Os restaurantes nestes 121 concelhos têm de fechar até às 22h30 e todos os estabelecimentos comerciais terão de encerrar, na generalidade, às 22:00.

Também nestes territórios - que representam 70% da população residente -, ficam proibidas as feiras e os mercados de levante, e os eventos e celebrações ficam limitados a cinco pessoas, exceto nos casos em que os participantes pertencem ao mesmo agregado familiar.

Os concelhos abrangidos têm mais de 240 casos de infeção com o vírus da covid-19 por 100 mil habitantes nos últimos 14 dias e será este o critério que servirá para atualizar a lista de municípios sujeitos a medidas restritivas a cada 15 dias, seguindo um princípio definido pelo Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças. Há uma exceção para surtos localizados em concelhos de baixa densidade.

Duas outras medidas aprovadas no sábado abrangem todo o território continental e não apenas estes 121 concelhos: limitação de grupos de seis pessoas nos restaurantes e prolongamento da situação de calamidade por mais duas semanas.

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