Cleto Duarte demitiu-se da direção da ANF depois de João Cordeiro ter feito críticas públicas à sua gestão.
São dois os candidatos que se apresentam à direção da Associação Nacional das Farmácias (ANF) nas eleições antecipadas de 29 de maio: Ema Paulino e Nuno Vasco Lopes, o atual vice-presidente, ambos farmacêuticos.
Ema Paulino, 45 anos, durante nove anos membro da direção da ANF, lidera uma lista que apresenta como prioridade centrar a ação em cada uma das farmácias, valorizando o seu papel na rede de cuidados de saúde, através da contratualização de serviços com o Governo e, através da "transformação digital", adotar novos procedimentos "que aumentem a eficiência e acrescentem mais valor".
A farmacêutica deu o exemplo das prescrições eletrónicas, que não permitem "uma visão global" do cliente para que o farmacêutico consiga "fazer uma intervenção profissional consciente e informada", defendendo um trabalho multidisciplinar e integrado com os Serviços Partilhados do Ministério da Saúde, criando uma plataforma onde seja possível "detetar interações, contraindicações, duplicações de terapêutica", disse, em declarações à agência Lusa.
Para Nuno Vasco Lopes, de 46 anos, o principal foco está no "reforço da rede" das 2900 farmácias em Portugal. O candidato da lista F defendeu o alargamento das margens de lucro nos medicamentos, "em média de 17,6%, uma das mais baixas da Europa", e preconizou um "plano de coesão territorial" para ajudar os estabelecimentos em locais mais remotos a reduzirem os seus "custos de contexto".
O atual vice-presidente do demissionário Cleto Duarte, que se apresenta com uma lista onde "50%" são novos rostos, acrescentou, à Lusa, ser necessária a "incorporação de novas fontes de receita" nas farmácias, por exemplo através da prestação de novos serviços, a pensar na "sustentabilidade operacional e na sua viabilidade económica, para que continuem a fazer o seu trabalho de proximidade", assim como "acelerar a incorporação de inovação tecnológica na atividade das farmácias".
Preocupada com uma "situação financeira sem precedentes" da ANF, com "uma dívida líquida na ordem a dos 440 milhões de euros", Ema Paulino adiantou à Lusa a importância de um "reequilíbrio de contas" e a intenção de realizar uma auditoria, "para perceber onde é que estão os problemas em cada uma das empresas" detidas ou participadas pela ANF.
O objetivo é o de analisar "quais é que são estratégicas para a atividade das farmácias, perceber onde é que podemos reduzir custos e que tipo de decisões têm de ser tomadas em relação a determinadas empresas que têm sucessivamente apresentado resultados negativos", disse.
Nuno Vasco Lopes, concordou que a situação financeira "precisa de alguns ajustamentos". Apesar do ano difícil em contexto pandémico, que gerou quebra de receitas nos hospitais CUF, "já a recuperarem", salientou as "boas ´performances` de algumas empresas do universo ANF, nomeadamente a Alliance Healthcare, "o maior distribuidor de medicamentos em Portugal", ou a Glintt, responsável pela vertente tecnológica.
"Globalmente a associação apresenta resultados líquidos positivos em termos empresariais. É preciso fazer alguns ajustes, nomeadamente na prestação de serviços de saúde e na componente de internacionalização de inteligência de mercado", referiu Nuno Vasco Lopes, que acentuou mais de 25% do valor da dívida ser relativa ao adiantamento feito mensalmente às farmácias, devido à comparticipação dos medicamentos. "Os ativos, quer da associação, quer do universo empresarial, ultrapassam largamente esse valor de exposição à banca", reforçou.
Ema Paulino preconizou uma alteração estatutária, "autonomizando os universos associativo e empresarial", e afirmou querer promover uma "revalorização da estrutura associativa", para que o Conselho Nacional "possa votar as contas e os orçamentos e proporcionar-lhes informação de uma forma mais contínua", uma vez que atualmente apenas lhe é "dado conhecimento" da documentação da área empresarial.
O rosto da lista A referiu que os estatutos são omissos quanto às relações entre dirigentes e administradores do universo empresarial da ANF e "tem acontecido cada vez com maior frequência" os eleitos para a associação "depois autonomearem-se para os conselhos de administração em cargos remunerados". A proposta de alteração que pretende apresentar visa "clarificar que não pode haver coincidência entre as pessoas que estão a ocupar cargos nos órgãos associativos para os quais foram eleitos pelas farmácias" e as administrações das empresas do perímetro da ANF.
O representante da lista F, durante 10 anos administrador executivo da Aliance Healthcare e nos últimos cinco da Glintt, sublinhou que "o mais importante é que estas empresas apresentem resultados positivos e que tenham crescimento económico", além de as empresas terem "uma ligação muito forte ao universo das farmácias" e a ANF não se dever "alhear da gestão" do grupo empresarial.
Da lista de Ema Paulino faz parte João Cordeiro, candidato à Assembleia Geral. A candidata manifestou-se "lisonjeada" por o líder histórico da ANF ter "aceitado o seu convite, apesar de ter dito que não se ia envolver diretamente em nenhuma lista". A farmacêutica frisou estarem em cima da mesa as suas "próprias ideias" e acrescentou ter "total convicção" de que João Cordeiro vai respeitar a sua "posição e liderança".
Cleto Duarte demitiu-se da direção da ANF depois de João Cordeiro ter feito críticas públicas à sua gestão.
As eleições estão agendadas para 29 de maio, mas a votação já teve início, por correspondência e através do voto eletrónico.
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