Denuncia foi feita pela União dos Sindicatos do Porto.
A Preh Portugal, na Trofa, distrito do Porto, negou o despedimento de 500 trabalhadores, denunciado esta sexta-feira por sindicato e pelo PCP, sublinhando a empresa alemã de componentes eletrónicos que cessou os contratos com empresas de trabalho temporário.
"É totalmente falso que a Preh Portugal tenha despedido, ou vá despedir 500 trabalhadores. Cessámos os contratos com empresas de trabalho temporário, uma vez que, no quadro da brutal redução da atividade, que, em particular na indústria automóvel se faz sentir, por motivos de todos conhecidos, deixou de existir a necessidade que justificou a dita contratação", explica a empresa em comunicado enviado na tarde desta sexta-feira à agência Lusa.
A União dos Sindicatos do Porto (USP), afeta à CGTP-IN, denunciou esta sexta-feira que a Preh Portugal, que tem 1.500 funcionários, vai despedir mais de 500 dos 700 trabalhadores com vínculos precários, devido à pandemia da covid-19.
No comunicado, a empresa, sediada no concelho da Trofa desde 1969 e que se dedica atualmente à produção de componentes mecatrónicos para a indústria automóvel, refere que tem 1.049 colaboradores, acrescentando que "mantém e pretende continuar a manter os vínculos com todos os trabalhadores com quem detém uma relação contratual de trabalho".
A USP acusou também a Preh Portugal de "impor, unilateralmente, o gozo de uma semana de férias aos restantes trabalhadores".
"É também falso que a empresa tenha proposto o gozo de férias aos seus trabalhadores. Na verdade, foi proposto o gozo antecipado de férias apenas a uma parte dos seus trabalhadores, proposta que mereceu o seu acordo, tratando-se de uma medida que tem pleno cabimento no contexto de anormalidade e excecionalidade em que vivemos", justifica a empresa.
O sindicato denunciou ainda um "ato inadmissível" levado a cabo pela Preh Portugal na distribuição dos Equipamentos de Proteção Individual (EPI), "exigindo" aos trabalhadores que os EPI, incluindo máscara, "têm de durar uma semana".
A empresa também refuta estas acusações.
"Na sequência das medidas de segurança e proteção implementadas na empresa decorrentes da pandemia da covid-19 (que resultaram da articulação da empresa com o seu gabinete de medicina do trabalho e com as diretrizes da DGS [Direção-Geral da Saúde] e da Autoridade de Saúde local, com o conhecimento da Câmara Municipal da Trofa), uma das medidas implementadas foi a de que as máscaras seriam usadas três dias consecutivos e entregues após esse período no gabinete médico, onde seriam atribuídas novas máscaras contra a devolução das usadas", esclarece a empresa.
Na sequência desta denúncia da União dos Sindicatos do Porto, o PCP, através das deputadas Ana Mesquita e Diana Ferreira, enviou um requerimento (pergunta) ao Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social.
O PCP questionou se o Governo "tem conhecimento" da situação na Preh Portugal e que medidas vai tomar "para assegurar o cumprimento dos direitos dos trabalhadores, nomeadamente, a não imposição de férias e a manutenção dos postos de trabalho".
As deputadas comunistas perguntam também pelas medidas que o Governo vai tomar "para garantir o respeito pelos direitos dos trabalhadores em termos de saúde, higiene e segurança no trabalho, sobretudo no atual contexto epidemiológico", e como é que "avalia o facto de a maioria dos trabalhadores da empresa ser contratada através de vínculos precários".
O PCP questiona ainda se a Autoridade para as Condições do Trabalho "realizou alguma ação inspetiva recente" à Preh Portugal e quais as conclusões.
"A gerência da Preh Portugal, Lda repudia totalmente o teor das afirmações a propósito da nossa empresa, que as deputadas do PCP Ana Mesquita e Diana Ferreira formulam na pergunta dirigida ao Governo Português", lê-se no comunicado da empresa.
A Preh Portugal, Lda considera também "insultuosa a imputação de comportamento 'selvagem e atroz', atribuída pela União dos Sindicatos do Porto, e diz lamentar o "recurso a falsidades que afetam a reputação e criam ainda mais instabilidade e receios", que, segundo a empresa, "em nada ajudam a manter a estabilidade desejada".
Em Portugal, segundo o balanço feito esta sexta-feira pela Direção-Geral da Saúde, registaram-se 246 mortes relacionadas com a covid-19, mais 37 do que na véspera (+17,7%), e 9.886 casos de infeções confirmadas, o que representa um aumento de 852 em relação a quinta-feira (+9,4%).
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