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Empresas de materiais sem 'mãos a medir' para responder aos estragos causados pelo mau tempo

Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.

02 de fevereiro de 2026 às 18:44

A Sosoares em Porto de Mós voltou esta segunda-feira à atividade, seis dias após a passagem da depressão Kristin, sem 'mãos a medir' para fazer entregas de vidros e alumínios e dar orçamentos para reparar os estragos deixados na região.

"A parte do alumínio e do vidro está a ter muita procura no seguimento do mau tempo e vai-se intensificar. Primeiro as pessoas reparam os telhados, mas claro que há fachadas que não podem esperar. Temos vários pedidos de orçamento, para ativar os seguros", conta Luís Santos, comercial da Sosoares.

Para dar resposta a este aumento da procura, a empresa terá de "aumentar a produção". "Neste momento, temos dois turnos, mas não é suficiente. Estamos a tentar com horas extra, mas vamos ter de recrutar mais pessoas [para responder ao aumento das encomendas]".

"Já estávamos a funcionar no limite e agora não é suficiente", acrescenta o responsável, dando conta que ao armazém logístico de Porto de Mós - que só esta segunda-feirateve duas falhas de energia - chegam clientes com fachadas de dezenas de vidros que têm de ser substituídos com rapidez, porque "não dá para serem tapados".

Também o 'showroom' da Gosimat, empresa especializada no fabrico e comercialização de caixilhos, portas e pavimentos, em Marrazes, Leiria, reabriu esta segunda-feira, depois de 'limpar' os danos do mau tempo.

"Tivemos o 'showroom' encerrado até esta segunda-feira. Tivemos vários estragos e a nossa exposição ficou muito afetada. Só estamos abertos desde as 09:00 e desde então temos recebido vários contactos", disse à Lusa Maria Marques, assistente comercial da Gosimat.

Rodapés, pavimentos e produtos para colar telhas têm sido os mais comprados. Há também, conta, quem ligue ou se dirija à loja só para pedir referências, saber informações sobre onde encontrar produtos que não são ali vendidos, nomeadamente telhas.

A unidade fabril da Gosimat também foi afetada pela queda de um poste de alta tensão e a eletricidade ainda não foi reposta, estando a funcionar "com gerador desde quarta-feira", explicou.

Também a funcionar com gerador continua a Bricomós, loja de bricolage, ferragens, ferramentas em Porto de Mós, que viu "logo nos primeiros dias" desaparecer "geradores, lanternas, pilhas e fogões a gás".

"Isso esgotou logo tudo", contou à Lusa Alexandre Magalhães, numa conversa telefónica com várias perdas de rede.

Já as lojas de bricolage e construção Bricomarché têm tido "um aumento significativo da procura", em particular as da região Centro, apontando as lonas de proteção, coberturas, telhas e geradores como os produtos mais procurados pelos clientes.

Relativamente aos geradores, a procura obrigou a "um esforço acrescido de gestão e reforço de abastecimento", estando "a trabalhar ativamente no reabastecimento destes equipamentos, de forma a responder às necessidades dos clientes com a maior brevidade possível".

Também a Leroy Merlin destaca à Lusa o esforço para "assegurar a disponibilidade dos artigos, com reforço diário de 'stock' dos produtos identificados pelas lojas como essenciais, para apoiar a resposta imediata às situações no terreno, com especial reforço nas lojas de Aveiro, Coimbra, Leiria, Figueira da Foz e Caldas da Rainha".

Nove pessoas morreram desde a semana passada na sequência do mau tempo. A Proteção Civil contabilizou cinco mortes diretamente associadas à passagem da depressão Kristin e a Câmara da Marinha Grande anunciou uma outra vítima mortal, a que se somaram depois três óbitos registados por quedas de telhados (durante reparações) ou intoxicação com origem num gerador.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e de estruturas, cortes ou condicionamentos de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, o fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal, que provocou algumas centenas de feridos e desalojados.

Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.

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