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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Enfermeiros do Porto trabalharam 600 mil horas extraordinárias este ano

Existe um elevado número de profissionais em burnout.

26 de agosto de 2025 às 13:14

O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) alertou esta terça-feira que estes profissionais dos hospitais do distrito do Porto trabalharam mais de 600 mil horas extraordinárias no primeiro semestre deste ano e que há um "elevado número em burnout".

"Mais de 600 mil horas de trabalho extraordinário feito pelos enfermeiros que estão hoje a trabalhar nos hospitais do distrito do Porto e que equivalem à falta de 659 enfermeiros, portanto a sobrecarga é tremenda e isto põe em causa até a qualidade dos cuidados e a segurança dos próprios profissionais e isso tem reflexos que é o burnout", declarou à Lusa Fátima Monteiro, coordenadora da direção regional do Porto do SEP.

Na conferência de imprensa que o SEP realizou esta terça-feira junto ao Hospital de Santo António, no Porto, e onde se podia ler em cartazes "Senhora Ministra: sou enfermeira, exijo valorização. Faltam enfermeiros neste serviço", Fátima Monteiro lamentou que ao dia 26 de agosto de 2025 o Governo e o Ministério da Saúde ainda não tenham aprovado os Planos de Desenvolvimento Organizacionais (PDO), um mecanismo que permite a contratação e fixação de centenas de enfermeiros nos hospitais.

"Os PDO é o chamado mapa de pessoal em que as instituições face às necessidades de horas de cuidados dizem eu preciso de mais 20, 30, 40, o número que for necessário de enfermeiros, mas ao não estarem autorizados, as instituições não têm possibilidade de contratualizar enfermeiros para o seu quadro. Poderão contratualizar, mas com vínculo precário, mas não é com vínculo precário que se fixam os enfermeiros", alertou.

Também em comunicado o SEP diz que há "um elevado número de enfermeiros em burnout (exaustão profissional)" e questiona-se se alguma ULS (Unidade Local de Saúde) cumpre as Dotações Seguras".

"O recurso ilegal à programação de trabalho extraordinário aumenta, os enfermeiros que estão na prestação de cuidados veem a sua vida social e familiar ser adiada e os enfermeiros gestores desesperam diariamente na tentativa de fazerem escalas equitativas, atribuir folgas, descansos e os feriados em dívida"

Segundo aquele sindicato, a carência de enfermeiros está a agravar-se, com a "desregulação de horários, turnos que mais aprecem uma maratona e, a conciliação da vida pessoal e profissional mais parece uma miragem".

O enfermeiro do Hospital de Santo António Nuno Lourinho contou à Lusa que no seu serviço do Santo António faltam pelo menos uns "90 enfermeiros" para colmatar a carência de efetivos.

"Há um problema de base para a carência de enfermeiros que são as condições que são oferecidas aos enfermeiros que são sempre precárias", acrescentou.

Segundo Nuno Lourinho, até à "abertura de concurso, há seleção, há entrevista e as pessoas entram ao serviço". Contudo, passados alguns dias ou semanas as pessoas vão-se embora".

As causas são várias e vão desde os custos da deslocação para os que são de fora do Porto, transportes não adequados, custo d e vida e da habitação, explicou.

Nuno Lourinho também referiu os vários anos de serviço em que não são contabilizados para efeitos de progressão na carreira e que esse facto "não é aliciante para os jovens hoje em dia".

As propostas do SEP ao Governo passam por "planificar as necessidades de enfermeiros de curto, médio e longos prazos em função das necessidades dos portugueses em cuidados de saúde", "contratar e reter enfermeiros", "envolver todos os enfermeiros nas decisões das organizações ao invés da imposição de cima para baixo" e " efetivar a valorização de todos os enfermeiros através da negociação de uma alteração à carreira de enfermagem".

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