Novo curso visa formar profissionais capazes de intervir em ameaças emergentes.
As duas escolas de saúde da Universidade do Porto (U.Porto) vão abrir em setembro, no ano letivo 2026/27, uma nova licenciatura em Ciências da Saúde Pública, que visa formar profissionais capazes de intervir em ameaças emergentes, foi esta quarta-feira divulgado.
A nova licenciatura arrancará com 40 vagas e é da responsabilidade da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) e do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS), em cooperação com o Instituto de Saúde Pública (ISPUP).
Num comunicado enviado à agência Lusa, é explicado que o objetivo é "formar profissionais capazes de intervir nas ameaças emergentes que mais afetam a saúde das populações, em Portugal e no mundo".
"Este novo curso pretende reforçar a ação da Saúde Pública em contextos nacionais e internacionais", descrevem as duas escolas médicas da U.Porto.
Considerada atualmente uma área de intervenção prioritária a nível global, a Saúde Pública tem desafios que se colocam à escala planetária como, por exemplo, as alterações climáticas, epidemias, pandemias, migrações, equidade e sustentabilidade.
O público-alvo são jovens preocupados com a saúde da população, "curiosos quanto à investigação epidemiológica e orientados para a ação no terreno, em proximidade com diferentes comunidades".
"[Esta licenciatura revela-se] essencial para ultrapassar estes desafios e alcançar políticas de saúde mais eficazes, efetivas, eficientes e equitativas, alinhadas com os objetivos europeus de Saúde Pública. A criação desta licenciatura era uma ambição antiga da FMUP que, finalmente, encontrou concretização nesta parceria com o ICBAS", refere o diretor da FMUP, Altamiro da Costa Pereira, citado no texto enviado à Lusa.
Também o diretor do ICBAS, Henrique Cyrne, acrescenta que esta nova licenciatura pretende "contribuir para a qualificação consistente da competência diferenciada nesta área, na capacidade de identificar e responder aos atuais desafios de Saúde Pública, ao mesmo tempo em que compreende e minimiza o impacto do comportamento humano na sociedade e no planeta como um todo, enquadrando o conceito 'One Health' [Uma Saúde um conceito sobre 'saúde global' que o ICBAS estuda e promove há alguns anos e que junta três componentes: saúde humana, ambiente e animais]".
As duas escolas médicas acrescentam que esta nova licenciatura resulta de uma antiga parceria entre FMUP e ICBAS na investigação e no ensino pós-graduado em Saúde Pública, existindo um mestrado com mais de 25 anos e um Programa Doutoral com impacto académico nacional e internacional.
Ambas acreditam que a formação destes jovens vai beneficiar do contributo de investigadores de unidades de investigação da UP, nomeadamente do ISPUP e do RISE-Health.
"Os jovens que finalizarem o curso estarão preparados para integrar organizações dentro e fora do setor da saúde, em diferentes níveis de intervenção, nos governos locais, nas escolas, nas instituições prestadoras de cuidados de saúde, em unidades de investigação, nos serviços de assistência social e noutras organizações públicas, privadas e do terceiro setor, nomeadamente organizações não governamentais", é descrito no resumo.
Além da FMUP, ICBAS e ISPUP, o projeto conta com a colaboração da Direção-Geral da Saúde, Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA), Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV), bem como as Unidades Locais de Saúde São João e Santo António, no Porto, municípios e organizações não governamentais, que acolherão os estágios dos primeiros estudantes deste novo curso, em ambiente profissional.
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