Peritos lembram que o compromisso das chefias com o bem-estar continua a ser "uma das áreas mais frágeis", segundo o relatório elaborado pela Labpats.
Os especialistas apelam às organizações que assumam a promoção de ambientes de trabalho saudáveis como "prioridade estratégica", reforçando a qualidade da liderança, reorganizando o trabalho e apostando numa "intervenção estruturada" na área da saúde mental.
Nas recomendações que constam do novo relatório do Laboratório Português de Ambientes de Trabalho Saudáveis (Labpats), a que a Lusa teve acesso, os peritos lembram que o compromisso das chefias com o bem-estar continua a ser "uma das áreas mais frágeis".
Por isso, pedem uma aposta forte na seleção, formação e avaliação de lideranças com competências em comunicação, escuta ativa, gestão de equipas, prevenção de conflito, ética e inteligência emocional.
"Liderar de forma saudável não pode ser entendido como uma competência opcional", defendem.
Recomendam uma reorganização do trabalho de forma mais previsível, justa e sustentável, o que inclui rever cargas de trabalho, ajustar prazos, reforçar recursos humanos, redistribuir tarefas de modo mais equilibrado e assegurar tempos de pausa e recuperação.
A este respeito, avisam que "a prevenção do desgaste não depende apenas da resiliência individual", mas, sobretudo, do "desenho organizacional".
Quanto à saúde mental e aos riscos psicossociais, defendem que as organizações devem criar mecanismos claros de prevenção do 'burnout' e do assédio laboral, com canais seguros de sinalização, resposta atempada, apoio psicológico acessível e políticas explícitas de proteção.
"A normalização do sofrimento psicológico no trabalho não pode continuar a ser tolerada", alertam.
Os peritos pedem ainda uma aposta em modelos laborais "mais flexíveis e inclusivos", lembrando que os resultados dos dados recolhidos sugerem que o trabalho híbrido pode ser um fator de proteção e que o teletrabalho pode ser "particularmente relevante" para alguns grupos, nomeadamente os trabalhadores com doença crónica.
"A flexibilidade, quando acompanhada por boas condições materiais e regras claras, deve ser encarada como medida de promoção da saúde e não apenas como arranjo logístico", consideram.
Recomendam igualmente que se devolva centralidade ao reconhecimento, à justiça e à valorização profissional, alertando que a perceção de remuneração injusta, a falta de reconhecimento e a baixa participação nas decisões "corroem o vínculo" entre os profissionais e a organização.
Por isso, pedem "maior transparência nos critérios de avaliação, progressão e remuneração", bem como "práticas regulares de 'feedback' e valorização do contributo dos trabalhadores".
Por fim, os especialistas aconselham as organizações a escutar "de forma consequente" os seus trabalhadores, sublinhando que incorporar a voz dos profissionais nas decisões é essencial para transformar ambientes de trabalho fragilizados em contextos mais saudáveis, mais participativos e mais sustentáveis.
Recordam igualmente que a promoção de ambientes de trabalho saudáveis é "um processo contínuo" e que a mudança passa por integrar o tema no ADN da organização, com recursos alocados e envolvendo todos.
Em declarações à Lusa, a coordenadora do estudo, Tânia Gaspar, defende que esta matéria deve ser "um pilar fundamental na estratégia das empresas".
Apesar dos vários alertas deixados, diz ter uma "expectativa positiva" e explica porquê: "Por um lado, os trabalhadores mais novos vão exigir mais isso [medidas centradas no bem-estar] e, por outro lado, as lideranças também vão ficar cada vez mais novas" à medida que são substituídas.
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