Programa, financiado com 12 milhões de euros e com um período de três anos para a sua implementação, termina em setembro.
O Programa Nacional de Promoção da Saúde Mental no Ensino Superior apoiou 40 projetos em 68 instituições, reforçando serviços, respostas clínicas e medidas prevenção, sendo a sua continuidade e alargamento considerados prioritários face aos problemas dos estudantes.
Estudos nacionais têm evidenciado problemas de saúde mental entre estudantes e comunidade académica, o que torna "prioritário e urgente criar condições para que este programa possa continuar e ser alargado a mais instituições, evitando os riscos que poderão decorrer da descontinuidade das respostas em curso", defende a Coordenação Nacional das Políticas de Saúde Mental (CNPSM).
Reforça ainda, num comunicado esta sexta-feira divulgado, que o seu alargamento constitui "uma oportunidade estratégica única para promover a saúde mental e o bem-estar nas instituições do ensino superior, reforçar a equidade no acesso, promover ambientes académicos mais saudáveis e sustentar trajetórias de sucesso académico e pessoal".
Os resultados do programa, financiado com 12 milhões de euros e com um período de três anos para a sua implementação, que termina em setembro, serão apresentados na segunda-feira, em Lisboa, numa sessão promovida pela CNPSM e o Instituto para o Ensino Superior (IES), tendo em vista a atualização e continuidade do programa.
"De um modo geral, os resultados da avaliação realizada às 40 instituições e consórcios financiados (correspondentes a 68 instituições do ensino superior) evidenciaram uma evolução muito positiva face ao cenário identificado na avaliação inicial em 2023, caracterizado pela escassez de respostas, de recursos humanos e de projetos estruturados nos vários níveis de intervenção", sublinha.
Segundo a CNPSM, foram desenvolvidas respostas e medidas concretas nos vários níveis de intervenção, desde iniciativas na área da prevenção e promoção da saúde mental e bem-estar, respostas breves para situações menos graves, até à identificação, atuação e articulação para situações graves ou de risco.
"Esta evolução traduziu-se numa generalização dos Serviços de Saúde Mental e Bem Estar (SSMBE) para as instituições do ensino Superior, com melhoria expressiva de vários indicadores-chave", salienta.
Os dados revelam que 97,5% das instituições reportam procedimentos estruturados de triagem, 92,5% asseguram o registo sistemático de listas de espera e a quase totalidade dispõe de infraestruturas e recursos digitais dedicados.
No domínio da intervenção, observou-se uma cobertura praticamente universal de estratégias de promoção da saúde mental e prevenção, incluindo literacia em saúde mental (100%), apoio psicopedagógico (97,5%) e programas de apoio por pares (cerca de 93%).
Paralelamente, registou-se uma diversificação consistente das respostas, com elevada implementação de intervenções breves (cerca de 85%) e programas estruturados de desenvolvimento de competências (até 97,5%), salienta.
Registou-se também um crescimento das respostas clínicas, com maior acessibilidade à psicoterapia individual quando necessário (97,5%), da intervenção em grupo (82,5%), bem como um reforço de resposta ao nível da psiquiatria (57,5%).
"Verificou-se uma melhoria muito significativa na articulação dos SSMBE com os Serviços Locais de Saúde Mental do Serviço Nacional de Saúde, e encontram-se já implementados ou em desenvolvimento na maioria das IES protocolos formais e/ou articulação estruturada em 82,5% destas instituições", realça.
Para a CNPSM, estes resultados apontam, "não apenas para uma maior capacidade de resposta, mas também para uma verdadeira reforma estrutural na organização dos serviços, marcada por maior integração, diversidade de intervenções e alinhamento com boas práticas internacionais".
"Apesar de persistirem desafios ao nível da estabilidade dos recursos humanos e da adesão dos estudantes a algumas respostas, o padrão global dos dados evidencia condições favoráveis à consolidação do modelo e à sua replicação", defende.
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