Correio da Manhã
JornalistaPortugal deverá continuar com o nível de confinamento atual até meados de março, afirmou a ministra da Saúde, indicando que o país continua com uma "incidência extremamente elevada" de novos casos de contágio pelo novo coronavírus.
"É bastante evidente que o atual confinamento tem que ser prolongado por mais tempo e, desde já durante o mês de fevereiro, e depois sujeito a uma avaliação, mas provavelmente por um período que os peritos hoje estimaram como 60 dias a contar do seu início", afirmou Marta Temido, após uma reunião virtual com especialistas no Infarmed, em Lisboa.
O patamar a atingir é ter "uma ocupação de unidades de cuidados intensivos abaixo das 200 camas e uma incidência acumulada a 14 dias abaixo dos 60 casos por 100 mil habitantes", declarou.
O epidemiologista Henrique Barros estimou esta terça-feira que se o processo de vacinação contra a covid-19 correr como o previsto serão salvas 3.500 vidas até ao final de setembro.
As estimativas, que assentam em dois cenários, foram apresentadas pelo presidente da direção Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto na reunião para analisar a situação epidemiológica da covid-19 que juntou, no Infarmed (Lisboa), investigadores, o primeiro-ministro, o Presidente da República, ministros, partidos, confederações patronais, estruturas sindicais e conselheiros de Estado.
Veja na íntegra a reunião:
Ministra dá início à reunião
A ministra da saúde Marta Temido faz uma breve apresentação do que está previsto acontecer durante a reunião.
Dá então palavra a André Peralta Santos que fará uma intervenção sobre a situação epidemiológica do País.
Pico da terceira vaga de Covid-19 foi a 29 de janeiro
André Peranlta Santos explica que Portugal teve o seu pico da terceira vaga da pandemia a 29 de janeiro, altura em que registou 1669 casos cumulativos por 100 mil habitantes.
O País está agora em "trajetória descendente", apesar de ainda apresentar números elevados em especial na região de Lisboa e Vale do Tejo.
A região Norte em comparação com o período de outubro e novembro, teve o mesmo tipo de comportamento em janeiro.
As áreas de incidência superior a 1920 foi nas regiões do Alto Minho e Trás-os-Montes.
O especialista mostra a que a incidência esteve acima dos 1920 em muitos municípios do país, como po Alto Minho e Trás-os-Montes mas "ao dia de hoje a situação é mais favorável".
Quanto às faixas etárias, as pessoas acima dos 80 anos atingiram "incidências muito elevadas" e a faixa entre os 60 e os 80, em dezembro, foi a que teve maior incidência.
Pico da mortalidade em fevereiro
Peralta Santos explica que o pico da mortalidade registou-se na primeira semana de fevereiro sendo que, em janeiro houve um aumento de "quase três vezes em relação ao pico de dezembro".
Sobre Lisboa, o especialista diz que foi a "região mais afetada" em janeiro com um "crescimento rápido" e que está agora em decréscimo, ao já não se encontrar no nível máximo de incidências.
Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Coimbra com forte presença da nova variante
Peralta Santos mostra ainda um mapa com a indicação da presença da nova variante no País. "Há uma progressão da proporção de casos com a nova variante".
Foco em Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Coimbra sendo que a região Norte é a que tem menos prevalência.
André Peralta Santos, da Direção-Geral de Saúde, garante "este nível de confinamento parece suficiente para inverter a tendência, mesmo nos locais onde há maior prevalência da variante inglesa".
Confinamento e fecho das escolas ajudou a reduzir incidência do vírus
Baltazar Nunes, do Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge, explica que o Rt dos últimos 5 dias avaliados, 30 de janeiro a 3 de fevereiro, é de 0,82, um "valor baixo que indica redução da incidência".
"Em 30 dias houve uma redução muito mais acentuada da transmissibilidade", explica.
O especialista explica que desde o dia 15 de janeiro, com a introdução do primeiro pacote de medidas, que se notou uma redução da incidência. Redução essa que se acentuou com o fecho das escolas.
Especialista diz que confinamento deve-se manter por dois meses
Baltazar Nunes explica que para manter o número de camas ocupadas abaixo das 200 e o número de casos cumulativos de 60 por 100 mil habitantes, é necessário manter o confinamento equivalente a março e abril de 2020, em conjunto com fecho das escolas, por mais dois meses.
"O cenário de 60 dias é o que consegue trazer os níveis de ocupação nos UCI para valores mais baixos: 300 camas ocupadas em UCI e 200 em abril se mantivermos medidas por 60 dias", esclarece. Ou seja, manter o atual confinamento até perto do final de março.
Variante britânica em Portugal desde dezembro tem 20 vezes mais carga viral
João Paulo Gomes, do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, aborda a questão das variantes genéticas do novo coronavírus sendo a britânica prevalente no nosso País.
Explica que as variantes do Reino Unido, África do Sul e Brasil têm "uma mutação comum às três", mas as últimas duas são as mais preocupantes. Já foram detetados em Portugal dois casos da variante sul-africana-
Foram ainda efetuados 200 mil testes em dezembro nos laboratórios Unilabs. Quase 50 mil deram positivos e 8600 continham a variante do Reino Unido.
"Mais de 120 mil" casos associados à variante britânica têm circulado em Portugal desde 1 de dezembro, explica o especialista.
Esta variante tem 20 vezes mais carga viral que as restantes variantes do novo coronavírus.
João Gomes acrescenta ainda que "deixámos de estar num crescimento exponencial" O especialista afirma que Portugal se desviou da curva que apontava para a dominância da variante britânica em 65% no País. "São ótimas notícias", acrescenta.
Especialista diz que medidas foram tomadas com uma semana de atraso
Acrescenta ainda que a incidência continua a subir e há risco de evenntos que possam fazer explodir casos exponencialmente.
Fala ainda sobre o risco de contrair a infeção ter aumentado ao longo de janeiro e que os grupos com maior risco são jovens (dos 18 a 24 anos) e idosos com mais de 80 anos.
Entre 25 e 65 anos de idade também há uma taxa de incidência "muito elevada" e alto risco de infeção. Num nível intermédio de risco estão os adolescentes dos 13 aos 17 anos.
Manuel Gomes alerta ainda que "é preocupante" que a incidência esteja a descer e que Portugal tenha uma "relação patológica" entre a forma como a testagem acompanha o número de casos quando estes estão em queda. "Na minha opinião não é desejável", acentua o especialista.
"A percentagem de casos positivos nos testes foi muito alta, chegámos a atingir 20% quando a OMS recomenda 5%. Se a incidência ao baixar trouxer para baixo do numero de testes a positividade pode não descer tanto", aponta.
Manuel Gomes afirma que a testagem é a "arma principal" e não o confinamento uma vez que permite continuar a "manter o pé na mola".
Acrescenta ainda que é preciso "travar a importação das variantes" e isso passa por controlar as saídas e entradas no País.
Medidas devem ser anunciadas com antecedência e com clareza
O especialista Manuel Gomes afirma que é preciso explicar as medidas com mais antecedência e mais clareza de forma a não deixar que a incidência suba de forma descontrolada.
"A forma como desde maio lidamos com esta epidemia consiste em ler indicadores epidemiológicos que chegam com atraso (pelo menos 7 dias) adotar medidas em resposta, depois levamos uma semana ou 15 dias para ver resultado das medidas. Normalmente as medidas não são suficientes e tomamos mais medidas. Isto é a resposta gradual", explicou acrescentando que não se pode andar "atrás da pandemia".
Aconselha a que as medidas sejam tomadas antes de um aumento significativo da pandemia para que os portugueses consigam ajustar-se às regras e evitar o crescimento desmedido.
Desta forma também se ganharia tempo para vacinar o mais rapidamente possível.
Linhas vermelhas da "resposta agressiva" à pandemia
Carmo Gomes aponta linhas vermelhas que não devem ser ultrapassadas. Caso sejam, Governo deve tomar medidas para evitar aumento descontrolado de casos de Covid-19:
Vacinação pode salvar 3500 vidas até setembro
Henrique Barros explica que "se a vacinação ocorrer como está previsto salvamos 3500 vidas até ao fim de setembro".
O especialista do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto aborda o efeito da vacinação nos internamentos e na mortalidade.
Henrique Barros traça ainda dois cenários de vacinação: a 70 ou a 90%.
No caso de 70% da população estar vacinada até setembro, isso significa que até fim de abril dois milhões de portugueses estarão vacinados e em setembro estarão os "cinco milhões restantes".
A 90%, estamos a falar de "cerca de quatro milhões até ao fim de abril, com quatro mil pessoas por dia" vacinadas.
"Se vacinação ocorrer como está previsto, salvamos 3500 vidas até ao fim de setembro", revela ainda.
Henrique Barros conclui que "podemos imaginar sair da atual situação por altura do verão".
Percepções sociais sobre a Covid-19 e mortalidade em contexto hospitalar
Carla Nunes, da Universidade Nova de Lisboa, explica percepções sociais sobre a Covid-19 e mortalidade em contexto hospitalar.
Sobre as percepções sociais, os estudos revelaram que o estado de saúde mental dos portugueses variou ao longo da pandemia tendo sido o verão a altura mais positiva.
Nos últimos 15 dias registou-se uma ligeira melhoria da ansiedade, agitação e tristeza provocadas pela pandemia.
Carla Nunes denota ainda a redução de 35% em novembro para 15% nos últimos 15 dias de portugueses que saem de casa para trabalhar.
Aponta ainda que os homens mais jovens e com menos escolaridade são os que apresentam os "comportamentos menos adequados".
Sobre as vacinas, houve uma "evolução muito positiva" no nível de confiança dos portugueses.
No que toca à confiança na saúde em Portugal, houve um descréscimo em todos os indicadores, nomeadamente no adiamento de cuidados de saúde por receio de contrair Covid-19; na confiança na capacidade de resposta dos serviços de saúde ao vírus; confiança na capacidade de resposta dos serviços de saúde a outras doenças; o risco de ser infetado pelo coronavírus numa instituição de saúde.
No que diz respeito à mortalidade, os homens apresentam um risco acrescido, explica a especialista.
Primeira fase da vacinação prolongada devido à reduzida disponibilidade de vacinas, diz coordenador da task force
Vice-almirante Gouveia e Melo, novo coordenador da task force do plano de vacinação, afirma que estamos "num momento de estrangulamento de disponibilidade de vacinas".
"Portugal enfrenta uma dificuldade na disponibilidade de vacinas", adianta.
Dois milhões de vacinas no primeiro trimestre expectáveis em Portugal.
Gouveia e Melo explica que já foram aministradas 400 mil vacinas no continente e há 60 mil em reserva para garantir que as segundas doses não falham em caso de falta de disponibilidade de vacinas.
O coordenador da task force adianta ainda que a primeira fase da vacinação terá de ser prolongada devido ao problema da reduzida disponibilidade de vacinas.
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