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Há mais mulheres psicopatas do que se pensava, diz especialista

Especialista diz que comportamento das "psicopatas femininas" parece ser mais subtil e menos óbvio do que o dos psicopatas masculinos.

26 de fevereiro de 2024 às 19:50

O números de mulheres psicopatas pode ser muito maior do que se pensava de acordo com Clive Boddy, especialista em psicopatas no mundo empresarial. Embora a ideia de que os psicopatas são criminosos violentos, antissociais, impiedosos, mentem frequentemente, não têm empatia, nem sentem culpa, são narcisistas e manipuladores tenha dado lugar a uma visão mais matizada, a ideia de que são maioritariamente homens manteve-se.

"Os psicopatas procuram dinheiro, poder e controlo", afirmou o Clive Boddy, citado pelo The Guardian.

Para o especialista, "o comportamento das psicopatas femininas parece ser suficientemente subtil e menos óbvio do que o dos psicopatas masculinos e, por isso, não são tão reconhecidas". No entanto, um crescente conjunto de provas retrata as mulheres psicopatas como sendo "propensas a expressar violência verbal e não física, sendo a violência de natureza relacional e emocional, mais subtil e menos óbvia do que a expressa pelos homens psicopatas". Espalhar boatos e mentiras para obter vantagem pessoal é também característico das mulheres psicopatas.

Segundo Clive, uma das razões para não haver tanto reconhecimento deve-se ao facto de parte da avaliação utilizada para identificar psicopatas - conhecida como escala de psicopatia de autorrelato de Levenson (LSRP) - ser tendenciosa para identificar a perturbação nos homens. Isto é, enquanto a primeira parte da avaliação analisa o grau de desapego emocional, egoísmo, indiferença e manipulação de uma pessoa, a segunda parte - que abrange o estilo de vida psicopático - centra-se na violência e no comportamento antissocial.

"O elemento secundário, e as respetivas medidas, baseavam-se em grande parte em estudos de criminosos que estavam na prisão na altura e eram psicopatas - por isso, atualmente, os investigadores têm a sensação de que essas medidas não são adequadas para identificar a psicopatia feminina", justificou o especialista citado pelo jornal.

Para o investigador, o facto de haver menos estudos sobre psicopatia em mulheres do que em homens pode também estar relacionado com o facto dos avaliadores poderem estar relutantes em rotular as mulheres como psicopatas.

De acordo com estimativas, 23% dos homens, ainda que não sejam considerados psicopatas, têm traços que indicam a possibilidade de serem "problemáticos para a sociedade".

A investigação de Clive Boddy, baseada em inquéritos a trabalhadores, sugere que essas características não são invulgares nas mulheres. "Cerca de 12% a 13% das mulheres têm características suficientes para serem potencialmente problemáticas", afirmou.

O especialista alerta que o reconhecimento da psicopatia nas mulheres e nos homens é importante, sobretudo pelo enorme impacto que estes podem ter no local de trabalho e defende que os candidatos a emprego devem ser submetidos a um processo de seleção para ajudar a proteger os trabalhadores.

"Quanto mais se sobe em termos de antiguidade, ou seja, quanto mais poder e controlo se tem, mais se torna necessário este tipo de testes de despistagem e de testes psicométricos", afirmou.

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