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Estudo mostra maior evidência até agora de um campo magnético num exoplaneta

Campos magnéticos desempenham um papel fundamental na habitabilidade dos planetas.

27 de junho de 2026 às 01:05

Uma equipa internacional de investigadores obteve a evidência mais forte até agora da existência de um campo magnético num planeta fora do Sistema Solar, abrindo um novo caminho para o estudo da habitabilidade de outros mundos.

Os campos magnéticos desempenham um papel fundamental na habitabilidade dos planetas. Na Terra, o campo magnético atua como um escudo contra o vento solar e contribui para a evolução da sua atmosfera, condição considerada essencial para a existência de vida.

No entanto, detetar e medir estes campos magnéticos em planetas fora do Sistema Solar continua a ser um dos grandes desafios da astronomia.

Uma equipa internacional de investigadores, liderada pelo Instituto de Astrofísica da Andaluzia (IAA-CSIC), demonstrou conclusivamente como um planeta influencia diretamente o comportamento da sua estrela.

Trata-se do exoplaneta 'GJ 436 b', muito semelhante a Neptuno e orbitando muito próximo da sua estrela e os investigadores publicaram na sexta-feira os resultados do seu trabalho na revista Science, noticiou a agência Efe.

O investigador Daniel Revilla, do IAA-CSIC, explicou que conseguiram observar como o 'GJ 436 b' provoca mudanças regulares no brilho e na energia emitida pela estrela em determinados comprimentos de onda.

Ao analisar como e quando estas variações ocorrem na estrela, a equipa conseguiu estimar, pela primeira vez, a intensidade do campo magnético de um planeta deste tipo, abrindo assim um novo caminho para o estudo das propriedades e da habitabilidade de mundos para além do sistema solar.

A presença de um campo magnético pode influenciar a evolução de um planeta, uma vez que, ao modular a interação entre o vento estelar e a atmosfera planetária, condiciona processos relacionados com a sua habitabilidade, destacou o Conselho Superior de Investigações Científicas (CSIC) de Espanha num comunicado.

A Terra é exemplo disso, enquanto Marte, por outro lado, perdeu o seu intenso campo magnético global há milhares de milhões de anos, o que contribuiu para a perda gradual da sua atmosfera e, com ela, de grande parte da água que outrora continha.

Assim, saber se os exoplanetas possuem campos magnéticos é fundamental para avaliar o seu potencial de habitabilidade.

O estudo, liderado pelo Instituto de Astrofísica da Andaluzia (IAA-CSIC), analisou dezasseis anos de observações espectroscópicas de alta resolução do sistema 'GJ 436', a estrela de baixa massa em torno da qual orbita o planeta mencionado.

"Até há pouco tempo, acreditava-se que a estrela era a principal responsável pela influência sobre o planeta, mas os nossos resultados fornecem a evidência mais clara até à data de algo que já se suspeitava: que o oposto também pode ocorrer e que um planeta próximo pode alterar o ambiente da sua estrela", explicou o investigador Rafael Luque, do IAA-CSIC.

Os resultados mostram que, embora as estrelas normalmente dominem a sua relação com os planetas através da gravidade, radiação e campo magnético, um planeta que orbite muito perto da sua estrela também pode influenciá-la.

No entanto, estas interações entre o planeta e a estrela não são observadas de forma contínua, uma vez que só foram detetadas em 2008, 2016 e 2024 --- três episódios separados por intervalos de oito anos.

Esta periodicidade coincide com o ciclo de atividade magnética da estrela, sugerindo que a interação se torna especialmente intensa, ou mais fácil de detetar, quando a estrela está a passar por determinadas fases do seu ciclo magnético.

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