Ensino não presencial prejudica as famílias mais desfavorecidas.
O ensino à distância, que regressa em Portugal a 08 de fevereiro devido à pandemia, vai agudizar a desigualdade no aproveitamento escolar das crianças, prejudicando as famílias mais desfavorecidas, segundo investigadores da Nova School of Business and Economics.
Desde logo, a equipa liderada por Susana Peralta assinalou "a evidência acerca da desigualdade de aproveitamento escolar existente no sistema educativo português pré-pandemia, que as condições atuais irão necessariamente amplificar", num relatório divulgado hoje através do Twitter.
Os responsáveis cruzaram vários dados estatísticos sobre as condições de vida das crianças em Portugal, com o foco nas crianças até ao terceiro ciclo, em particular as mais desfavorecidas, alertando para a importância de manter no ensino presencial os alunos mais carenciados mesmo durante a vigência do ensino não presencial.
"A evidência que reportamos contribui também para reforçar a importância de regressar ao ensino presencial assim que as condições sanitárias o permitam, respeitando a prioridade dada aos alunos até ao segundo ciclo prevista no planeamento do ano letivo", destacam.
Os investigadores salientam que "as condições de habitabilidade são essenciais para o sucesso do ensino a distância", tendo usado os últimos dados disponibilizados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), de 2019, que mostram que, de entre as crianças com menos de 12 anos em Portugal, cerca de 25,8% vivem numa casa em que o telhado deixa passar água, as paredes, fundações e chão são húmidos e os caixilhos das janelas ou chão estão apodrecidos".
Além disso, quase 13% não têm a casa adequadamente aquecida e 9,2% não têm luz suficiente no alojamento, enquanto 15,5% vive em alojamentos sobrelotados, 6,5% das crianças vivem numa zona com crime, violência ou vandalismo e quase 13% em sítios com poluição, sujidade ou outros problemas ambientais.
As regiões autónomas dos Açores e da Madeira têm a maior percentagem de crianças a viver em casas com telhados e estruturas húmidas ou mesmo apodrecidas (38% e 45,8%, respetivamente).
No continente, a região mais preocupante é o Algarve, com 34,2% de crianças a viver em casas com telhados e estruturas húmidas ou mesmo apodrecidas e 2,5% sem instalações de banho ou duche no interior, ao passo que "a incapacidade de manter a casa quente afeta 27% das crianças nos Açores e 18,8% na região Norte.
"Dada a situação de crise em que vivemos há cerca de um ano, é razoável assumir que os valores" são uma estimativa inferior, referem os autores.
Por causa da pandemia de covid-19, as escolas encerraram as portas há cerca de duas semanas e as crianças e jovens, desde creches ao ensino superior, ficaram em casa, numa pausa letiva que termina na sexta-feira.
Na segunda-feira, cerca de 1,2 milhões de alunos do 1.º ao 12.º ano voltam a ter aulas à distância, à semelhança do que aconteceu no passado ano letivo.
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