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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Estudo revela impacto da pobreza no desenvolvimento cerebral das crianças

Investigação indica que os fatores socioeconómicos são responsáveis por cerca de 16% da variação observada nas medidas de funcionamento cerebral infantil.

12 de junho de 2026 às 23:15

Um estudo realizado pela Universidade de Washington concluiu que o desenvolvimento cerebral das crianças é influenciado tanto pelo ambiente em que crescem como pela situação económica das famílias. 

“O cérebro de uma criança de meios socioeconómicos baixos parece-se com o de uma criança de contexto socioeconómico elevado que não dormiu o suficiente e está sob stress”, referiu um dos investigadores, citados pela Euronews.  

A investigação indica que os fatores socioeconómicos explicam cerca de 16% da variação observada nas medidas de funcionamento cerebral infantil. As associações mais fortes verificaram-se com o quociente de inteligência (QI), os estilos parentais de educação e o historial de saúde das crianças. 

Os investigadores garantiram que os mais pequenos em situação mais débil financeiramente não têm um “cérebro menos inteligente”. Se tomadas medidas, como melhorar a qualidade do sono e reduzir o stress, as diferenças podem ser menores.  

A mesma fonte vinca ainda que as crianças são mais suscetíveis do que os adultos à pobreza e que as consequências podem facilmente refletir-se durante o período de desenvolvimento.  

Como amostra para o estudo, os investigadores analisaram a situação de 12 mil crianças entre os nove e os dez anos de idade e foram avaliadas mais 649 variáveis adicionais que influenciam o desenvolvimento cerebral, em específico o tempo que dispendem em frente aos ecrãs, capacidades cognitivas, saúde física e mental, práticas parentais, etnia e sexo.  

O ambiente do bairro e os recursos financeiros da família foram identificados como os fatores mais determinantes. De acordo com os investigadores, estes aspetos estão sobretudo relacionados com o funcionamento das áreas motoras e sensoriais do cérebro, que tendem a ser mais afetadas pelas oscilações diárias de sono e stress. 

Os investigadores referem no estudo que, através de um exame ao cérebro de uma criança, conseguem facilmente perceber a situação socioeconómica em que esta vive, assim como os hábitos de sono e o tempo passado em frente aos ecrãs.  

Segundo a UNICEF, quase 900 milhões de crianças em todo o mundo vivem em situação de pobreza, com dificuldades ao nível da alimentação, água, alojamento, educação e cuidados de saúde. 

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